Neste primeiro ano de morte, o santista Plínio Marcos será lembrado por muitos, e de várias formas. O diretor Tanah Corrêa convidou artistas que estão apresentando montagens das peças de Plínio Marcos pelo Brasil para ler, ao final dos espetáculos deste domingo, o texto ‘‘O Ator’’, célebre herança do dramaturgo.
No dia 11 de dezembro, mais uma homenagem. A mostra ‘‘Plínio: Um Grito de Liberdade – Uma Exposição Quase Marginal’’ será aberta no Memorial da América Latina, em São Paulo, sob curadoria de Tanah Corrêa e do cenógrafo J.C. Serroni. Nesta exposição, o público poderá conhecer a trajetória de Plínio Marcos, dividida em módulos que falam de sua vida, do teatro, cinema, tevê e dança, música, literatura e esoterismo.
Plínio Marcos encontrou a bagagem que posteriormente compôs sua obra no circo, onde aprendeu a escrever diálogos. Inquieto, ele deixou a escola depois de repetir de ano três vezes. O motivo? Ser canhoto. A professora exigia que os alunos escrevessem com a mão direita. No circo ele acabou se encontrando.
Aos 22 anos de idade, o santista Plínio Marcos mostrou sua primeira obra teatral, ‘‘Barrela’’, escrita em 1958 e censurada até 1980 – como a maioria de suas peças. Apesar do reconhecimento, ele vivia sob a sombra da censura. Somente aos 32 anos conseguiu ver uma peça sua encenada. Era ‘‘Dois Perdidos Numa Noite Suja’’, também censurada em seguida. Nos anos 70, chegou a pensar em desistir de escrever. Para o autor, ‘‘o teatro só tinha sentido quando o palco era uma tribuna livre’’. Na década de 80, finalmente Plínio Marcos pôde ver suas peças encenadas.
A partir dos anos 90, o dramaturgo foi redescoberto. Artistas e companhias de todo o Brasil encenaram seus textos, como ‘‘O Abajur Lilás’’, ‘‘Navalha na Carne’’ e ‘‘Dois Perdidos...’’. Esta última ganhou uma versão inglesa este ano, com uma montagem em Londres.
No último ano de vida, Plínio Marcos lançou o livro de contos ‘‘O Truque dos Espelhos’’ (Editora Una). Neste texto, o autor conhecido por suas histórias sobre a marginalidade brasileira mostrou o lado divertido, mas não menos doloroso, da luta pela sobrevivência de artistas de circo que conviveram com ele. Antes, reescreveu o musical ‘‘Chico Viola’’ e ‘‘O Bote da Loba’’. Já no hospital, pediu à mulher papel e caneta para continuar escrevendo. Do seu novo livro infantil, ficou a primeira página. Plínio Marcos deixou ainda o roteiro inacabado para o filme ‘‘Vida de Artista’’ (baseado em contos inéditos), que escrevia desde 1998 com o cineasta Carlos Cortez.

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