Dramaturgia, papel e tinta
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de maio de 2011
Omar Godoy <br> Equipe da Folha 
Humor negro e referências da cultura pop e trash são as marcas da Cia. Vigor Mortis, comandada pelo diretor Paulo Biscaia Filho. Com mais de dez anos de trajetória, o grupo curitibano entrou de vez para o mapa do teatro brasileiro com o espetáculo ''Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos'' (2004), que chamou a atenção do público mais jovem por levar ao palco recursos do cinema e dos gibis.
Não à toa, a peça virou um filme, que chegou a ser premiado em festivais internacionais do gênero de horror. Agora, é a vez do universo temático da companhia chegar às livrarias, na forma de histórias em quadrinhos. O lançamento do álbum, batizado de ''Vigor Mortis Comics'', aconteceu recentemente na Gibiteca de Curitiba, seguido de uma mesa-redonda com Biscaia e os artistas gráficos DW Ribatski e José Aguiar.
Editor e coordenador do projeto (viabilizado por meio da Lei do Mecenato Municipal), Aguiar já havia trabalhado com o grupo no espetáculo ''Graphic'' (2006), para o qual desenvolveu alguns personagens e a identidade visual. Uma parceria que, segundo ele, veio de sua admiração pela dramaturgia ''diferente'' da Vigor Mortis.
''Saí maravilhado do teatro depois de assistir a 'Morgue Story'. Foi a primeira vez que vi o universo pop e contemporâneo das HQs traduzido numa peça. Gostei tanto que, logo em seguida, mandei um e-mail para o Biscaia comentando o espetáculo'', conta o quadrinista, que dividiu o roteiro com o diretor e os desenhos, com Ribatski.
Segundo ele, a proposta de ''Vigor Mortis Comicis'' é resgatar os personagens do teatro e colocá-los em situações que não poderiam ser apresentadas no palco. Ou seja: o livro não se limita a adaptar as peças da companhia. Pelo contrário. Nas oito histórias assinadas pelo trio, figuras como Homem-Sombra, Ursula Undress e Oswald (o Morto-Vivo) ganham uma ''sobrevida'', como define Aguiar.
''O público já formado do teatro vai sacar todas as referências que aparecem nos quadrinhos. Mas, como as histórias do livro fluem de forma independente, quem não conhece os personagens também pode acompanhar sem problema'', garante o artista, que prepara, para breve, o lançamento do álbum em Londrina.


