Um advogado ambicioso, que tem a fidelidade pela esposa testada depois de conhecer uma loira de uma cidade pequena. Um jornalista famoso que vê sua vida ficar de cabeça para baixo após uma noite com uma mulher louca. Um professor americano que se apaixona por uma garota bem mais jovem, e ela é filha do seu melhor amigo. Ficou com a sensação de já ter visto tudo isso antes? Pois é, o filme ''As Idades do Amor'' - que estreia hoje no Cine Com-Tour/UEL - não se esquiva de nenhum clichê. Pior, ele se arremessa, de maneira irremediável, na direção de algumas das mais batidas (e cafonas) fórmulas dentro das comédias românticas.
As três ''idades do amor'' - juventude, maturidade e terceira idade - são interligadas pelas flechas de um cupido (Vittorio Propizio) que, logo no começo do filme, lança um olhar galante para a lente da câmera e faz um longo discurso, à la Julio Iglesias, sobre a beleza do amor.
A primeira história segue o jovem advogado Roberto (Riccardo Scamarcio) que declara, em uma verborragia desenfreada, sua paixão pela futura esposa (''seus olhos são profundos e negros como a noite'' e ''sem ti, não consigo respirar'' e blá blá blá). O problema é que Roberto precisa viajar a trabalho para uma cidadezinha do interior, e lá conhece a estonteante Micol (Laura Chiatti). Depois de uma sequência improvável de eventos, Roberto se envolve com a loira e com os habitantes da pequena vila. E sinos tocam, e o tempo passa em câmera lenta, e você já imagina o que vai acontecer. O primeiro 'episódio' do filme é o mais fraco dos três; suas boas qualidades estão apenas em seu divertido elenco secundário, e na singela beleza da Toscana.
O cupido aparece, outra flecha voa e, no segundo capítulo seguimos o conflito do atrapalhado jornalista Fábio (Carlo Verdone), e sua atuação é um sopro de ar fresco: constantemente estressado e nervoso, o protagonista se vê envolvido por acaso com a bela Sara (Valeria Solarino), uma quarentona que, depois de seduzir o jornalista, acaba sendo um estorvo na vida dele, colocando em risco sua família e carreira profissional. Este é o momento mais divertido do filme, com algumas piadas que dão certo justamente pela atuação tragicômica de seu personagem principal.
Para tentar fechar com ''chave de ouro'', a última história conta com dois atores mundialmente famosos, e que ficam deslocados dentro de papéis tão bobos e superficiais. Adrian (Robert De Niro) é um professor americano que está morando em Roma depois de uma decepção amorosa. Viola (Monica Belucci) é a belíssima filha de seu melhor amigo. Adivinhou? Sim, eles redescobrem o amor em slow motion, com excesso de toques de piano e cenas água com açúcar.
Fechando a trilogia melosa criada pelo competente diretor/escritor italiano Giovanni Veronesi - o nome original é ''Manuale D'amore 3'' - os maiores problemas do filme não estão em seus lugares-comuns (mesmo porque o amor romântico é, por essência, um grande clichê), mas no abuso de cartas marcadas do gênero. Imagine, em um mesmo longa, ver um casal correndo na praia no pôr-do-sol, um encontro de olhares à primeira vista e até (acredite se puder) um primeiro beijo com o pano de fundo de fogos de artifício. Tudo isso acompanhado por um irritante anjo cupido, que também é motorista de táxi.
Pelo menos a fotografia, ajudada pelas locações de uma vila na Toscana e de Roma, é deslumbrante. Mas se em seus melhores momentos o filme de Veronesi chega a ser divertidinho - e pode até agradar casais (muito) românticos - nas suas falhas o longa é embaraçoso, e maltrata seus personagens com diálogos que, de tão óbvios, só podem ter sido copiados do roteiro de alguma novela mexicana. Além disso, ''Idades do Amor'' ainda se arrasta, inexplicavelmente, por duas longas horas. Tempo suficiente para apagar o fogo de qualquer paixão.

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