Celso Mattos
De Londrina
Especial para a Folha2
É difícil escrever sobre um filme que toca fundo na alma. Este é o caso de ‘‘Nas Profundezas do Mar sem Fim’’, um drama familiar incomum e reflexivo que traz no papel principal a atriz Michelle Pfeiffer desglamourizada por completo. Infelizmente este filmaço passou despercebido nos cinemas. Adaptado do romance de Jacquelyn Mitchard e baseado em fatos reais, o filme é dirigido por Ulu Grosbard, responsável por ‘‘Amor à Primeira Vista’’ e ‘‘Georgia’’.
Em uma reunião para comemorar o aniversário de 15 anos de formatura, Beth Cappadora (Michelle Pfeiffer), perde seu filho do meio no lobby do hotel. Apesar dos esforços de uma detetive (Whoopi Goldberg) a criança nunca é encontrada. A mãe culpa-se pela negligência e se pune sendo ainda mais negligente com a família que restou. O irmão mais velho (Jonathan Jackson) culpa-se por ter soltado a mão do irmão enquanto a mãe fazia o check-in no balcão do hotel e o pai (Treat Williams) tenta amá-los mesmo culpando-os pelo desaparecimento do filho.
Nove anos depois, um adolescente bate à sua porta oferecendo serviços de cortador de grama. O coração de mãe não se engana. Ela reconhece naquele garoto o seu filho desaparecido. A felicidade do reencontro logo se transforma em angústia, quando a mãe tenta reequilibrar sua família e conhecer seu filho perdido, agora um estranho. O diretor investe nas reações afetivas de cada personagem, fragmentando a narrativa e retratando a situação pela soma das partes que a compõem.
Para isso conta com a cumplicidade de um elenco irrepreensível. A começar por Michelle Pfeiffer, numa atuação contida e emocionante. O resultado é um filme perturbador, que recusa-se a adotar o clichê dramático, respeitando a inteligência do telespectador. ‘‘Nas Profundezas do Mar sem Fim’’ é um filme cinco estrelas! Não é apenas um drama sobre sequestro, mas uma obra que lida com questões como a união familiar. Mesmo em sua dor e culpa, uma mulher faz tudo para manter sua família equilibrada e unida. Lançamento da Columbia. Duração: 105 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS



Reprodução

As forças da natureza conspiram para unir o casal Ben Affleck e Sandra Bullock



Forças da Natureza
Esta é a primeira incursão da Dream Works, estúdio de Steven Spielberg, no gênero de comédia romântica. O resultado é um filme pra lá de chatinho. É uma espécie de versão romântica de ‘‘Antes Só do que Mal Acompanhado’’, estrelado por Steven Martin e John Candy. Em ‘‘Forças da Natureza’’, um acidente atrapalha os planos de Ben Holmes (Ben Affleck), que está indo ao encontro da noiva. Antes da decolagem, o avião em que ele está sofre uma pane e Ben acaba salvando a vida da passageira ao lado, Sarah Lewis (Sandra Bullock). Em troca, ela oferece ajuda para ele chegar a tempo em seu casamento.
Mas, lá no céu, os deuses conspiram para aproximá-los enviando nada menos do que ameaças de um furacão para piorar a situação. A única boa tirada de ‘‘Forças da Natureza’’ é a crítica bem-humorada à instituição por meio da caracterização dos pais do noivo, desajustados e infelizes. Apesar dos efeitos especiais discretos, mas funcionais, e da produção bem-acabada, o filme é insípido. E, a exemplo, do avião, não decola nunca. Lançamento da CIC Vídeo. Duração: 105 minutos.
Romance
Apesar das várias cenas de sexo explícito, ‘‘Romance’’ não pode ser confundido com uma fita pornográfica. É acima de tudo, um filme de arte. Na época de seu lançamento nos cinemas, chegou a ser chamado de ‘‘A Bela da Tarde dos anos 90’’. Dirigido pela cineasta francesa Catherine Breillat, ‘‘Romance’’ conta a história de Marie (Caroline Ducey), uma mulher que tem dificuldade de se realizar sexualmente com o marido e, por isso, acaba buscando prazer na rua. Na verdade, o filme mostra uma mulher em busca de si mesma.
Trata-se de uma obra reflexiva sobre a condição da mulher, as convenções sociais e, principalmente sobre a dificuldade de se encarar a sexualidade de maneira natural e sem preconceito. Discursivo e recheado de cenas de sexo explícito, ‘‘Romance’’ perturba e incomoda, como toda obra que propõe uma reflexão mais profunda. Pessoas que não sabem lidar bem com a sexualidade podem, facilmente, confundir ‘‘Romance’’ com um erótico sofisticado. Não embarque nessa idéia. Lançamento da Alpha. Duração: 95 minutos.

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