Drama e alegria nos passos do balé
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
DivulgaçãoCena de Viva Rossini, uma das coreografias que o Ballet Guaíra apresentaO Ballet Teatro Guaíra sobe ao palco para um espetáculo com tudo a que tem direito: acompanhamento da Orquestra Sinfônica do Paraná, regida pelo maestro Osvaldo Colarusso, e participação especial da soprano Celine Imbert. Ela canta na primeira parte na noite, em As Canções de Wesendonk, coreografia de Milko Sparembleck. Na segunda parte os bailarinos dançam Viva Rossini, de Tindaro Silvano.
Os números são opostos nos seus climas. As Canções tem música de Richard Wagner e uma história de amor proibido. É um bailado cuja alma poderia ser vista como em preto-e-branco. Pelo título percebe-se que Viva Rossini é alegre, descompromissado, um videoclipe como queria o coreógrafo durante sua realização.
Acabam se harmonizando. As duas peças fazem parte do repertório do BTG e tiveram uma única temporada até agora. As Canções é mais antiga. Milko Sparembleck veio da Croácia ao Brasil especialmente para esta montagem, em 1993. Ele já conhecia o corpo de baile do teatro por dois trabalhos anteriores, A Pastoral, com música de Beethoven, e Sete Pecados Capitais, de Kurt Weill e Bertolt Brecht.
As Canções de Wesendonk encerra um duro golpe na vida de Wagner e é esse golpe que chega ao palco. O compositor e a mulher foram morar na casa de um rico comerciante de Dresden, Otto Wesendonck. O mecenas recebeu-o na época em que ele compunha uma nova ópera, Tristão e Isolda, uma das obras símbolo do amor proibido.
Por ironia aquilo que ele colocava na ficção transformou-se em realidade. Apaixonou-se loucamente pela dona da casa, Mathilde Wesendonk, num amor que se comprovou mais tarde, sem qualquer vislumbre de correspondência. Os poemas que a mulher escrevia ele musicou sob o título de Wesendonck Lieder.
Transformou-se em escândalo os sentimentos que nutria pela mulher do homem que o sustentava. O casal Wagner foi expulso da casa. No bailado concebido por Sparembleck as canções são interpretadas por Celine Imbert, que vive Mathilde no palco. Ao seu lado três bailarinos personificam os sentimentos de desejos e impossibilidades.
Desfile de imagensO mineiro Tindaro Silvano usou Rossini e algumas passagens de Respighi, para criar uma peça que transita pelo que há de mais moderno ao mais clássico na dança. Inicialmente seria A Boutique Fantástica, depois transformada em Viva Rossini. A estréia, no segundo semestre de 96, foi um sucesso. A platéia se extasiou com o espetáculo.
O coreógrafo imaginou uma sucessão de cenas sem continuidade, num desfile de imagens como se um televisor estivesse ligado sem som. O entra e sai de personagens, seguindo a modalidade da construção e desconstrução (aquilo que parece ser o início de alguma, logo depois se quebra por inteiro), é que dá o toque de agilidade e leveza para a dança.
O espírito que quero dar à montagem é como se os bailarinos estivessem brincando de carrinho, de fliperama, forte apache, comentou Silvano na época dos ensaios. O público divertiu-se com as cenas inusitadas, os homens de sapatilhas, rapagões levantando frágeis bailarinas e, literalmente, tombando de cansaço. Desmunhecando. O coreógrafo conseguiu seu intento.
qBallet Teatro Guaíra - As Canções de Wesendonck, coreografia de Milko Sparembleck, sobre a música de Richard Wagner. Participação especial da soprano Celine Imbert; e Viva Rossini, de Tíndaro Silvano, música de Rossini e Respighi. Participação da Orquestra Sinfônica do Paraná, sob regência do maestro Osvaldo Colarusso. No Guairão, dias 7 e 9 às 20h30 e dia 8 às 18h. Ingressos: R$ 10,00 (platéia e 1º balcão) e R$ 5,00 (2º balcão).


