Curitiba - O professor Luiz Cesar Saraiva Feijó doutorou-se em comunicação pela UFRJ e sua tese de doutorado mostrava as diferenças entre jornalistas, repórteres e radialistas ligados ao futebol no Brasil e em Portugal e suas expressões. ‘‘Em Portugal o tratamento, as expressões usadas, são bastante referenciais, não há tanta galhofa como aqui’’, explica.
Em 1998, quando o Brasil perdia para a França a Copa do Mundo, ele lançava o livro ‘‘Brasil x Portugal - um derby linguístico’’. Ao contrário do Brasil, onde os principais termos e as referências são criados no rádio e na televisão, em Portugal, é o jornalismo escrito que dita as normas.
Por aqui, o que dá mais trabalho para o professor são as criações dos locutores. Um dos que mais criaram novos termos aplicados ao futebol é o jornalista esportivo Sílvio Luís, que recentemente lançou o livro ‘‘Olho no Lance’’, título baseado em mais um dos seus jargões, em que narra sua vivência no futebol.
Feijó tem colecionada quase meia centena de termos criados por Sílvio Luís, ente eles podem ser citados, além de ‘‘Olho no Lance’’ (preste atenção), ‘‘Atrás do Toco’’ (jogador impedido), ‘‘azulejou’’ (trabalhou bem a jogada), ‘‘carrapeta’’ (golpe de calcanhar), ‘‘embaixo da saia’’ (impedido), etc.
Em Portugal, no entanto, as expressões são completamente diferentes e mesmo para os que acompanham transmissões de futebol no Brasil os termos podem ser difíceis de compreender. Quer um exemplo?
‘‘Era uma avalanche de futebol, mas o Porto tinha mais acutilância e comeu a relva. No lavar dos cestos, o ataque fez gosto ao pé depois de pontapear várias vezes seguidas. Na comemoração, José Maria recebeu cartolina amarela após tirar a camisola e tomar bate-cus dos reservistas da equipa.’’
A tradução, seria a seguinte: ‘‘Era um bom jogo, mas o Porto atacava melhor e jogava com mais vontade. Ao final, o ataque marcou o gol depois de vários chutes seguidos. Na comemoração, José Maria recebeu cartão amarelo por ter tirado a camisa e comemorado com os jogadores reservas’’.(L.C.O.)

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