Dourados tem projeto indígena inédito
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quarta-feira, 08 de agosto de 2001
Emerson Dias<BR>De Dourados (MS) 
Depois de cruzar a divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul, vale a pena passar pelo menos um dia em Dourados antes de seguir viagem pelo oeste ecológico. A cidade de 165 mil habitantes conta com quase 10 mil índios, a segunda maior comunidade do Brasil. Empresários locais, juntamente com a Fundação Nacional do Índio, estão desenvolvendo o Centro Cultural Indígena, projeto inédito no País e que visa unir a cultura de três etnias: guarani, terena e kaiwá.
Conhecida como a capital econômica do Mato Grosso do Sul (a maioria dos fazendeiros e empresários do setor de agroindústria mantém a sede dos seus negócios no município), Dourados conta com vários restaurantes que servem comida típica à base de carne seca (feijão tropeiro, carne de sol na moranga são alguns saborosos exemplos) e possui 1.450 leitos distribuídos em 27 hotéis. A principal atração turística da cidade é na verdade um projeto social, desenvolvido junto às tribos locais há pelos menos cinco anos.
A reserva das três etnias somam 3,5 mil hectares e contam, segundo o último levantamento realizado no início deste ano, com 9.170 índios. A principal aldeia é a Jaguapirú Bororó, local onde foram construídos centro comunitário, escolas e posto de saúde. Mas há sete meses, empresários da cidade decidiram reunir as três tribos em um único centro cultural. O trabalho que estamos desenvolvendo aqui é inédito no Brasil. Somente nas ilhas da Polinésia existe algo similar, comentou um dos idealizadores do projeto, Sérgio Vilarinho, lembrando que as obras devem ficar prontas até o final deste ano.
O centro conta hoje com três ocas. A quarta, ainda em fase de construção, terá 26 metros de diâmetro e servirá como área de orações, encontros, festas e recepção dos visitantes. Fizemos isso porque um índio terena não pode entrar em uma oca kaiwá, por exemplo, explicou Vilarinho. O projeto também está valorizando o retorno da comunidade ao artesanato, fazendo com que os índios evitem sair da reserva para trabalhar. Até um CD com músicas kaiwá foi lançado recentemente, graças ao projeto.
Além de peças rústicas, o turista que visitar o local pode assistir apresentações de dança, conhecer o dia a dia da tribo e até experimentar a xíxa, bebida típica feita de milho fermentado. Futuramente, teremos salas de projeção, exposições permanentes e até um catálogo de ervas usadas pelos índios. É somente uma questão de tempo, disse o empresário.


