Dos reclames à nova linguagem
O livro de Ney Alves de Souza contando a trajetória da propaganda no Paraná não será essencialmente histórico, por vários motivos. Um deles: a obra não traduzirá a contextualização do momento em que a publicidade era gerada, ou seja nos aspectos político, social, cultural, geográfico ou econômico.
‘‘A gente vai contar mais o que apareceu sobre as agências, os anunciantes, os veículos no que diz respeito a propaganda como veículo. E também alguns casos interessantes.’’ Sobre episódios engraçados ele afirma que tem uma porção, mas está tudo nos disquetes do computador.
Indeciso, ainda não sabe se vai narrar a história da secretária do diretor de uma agência que ligou para Sílvia Dias, organizadora do Prêmio Colunistas, para reservar uma mesa. Como a reunião seria um coquetel, e não jantar, Sílvia explicou que não tinham mesa. Do outro lado da linha, uma nova pergunta - e como as pessoas iriam se acomodar? A resposta: nos sofás espalhados pelo ambiente. Minutos depois toca o telefone, e mais uma vez é a secretária: ‘‘A senhora pode reservar um sofá para nós?’’
São fatos do dia-a-dia da profissão. Há quase um ano trabalhando no livro, Ney Alves fez uma pesquisa de mais de um século de propaganda, começando pelos antigos anúncios dos tempos da escravidão, passa pelos reclames e chega aos dias de hoje. Gravou 53 entrevistas, perfazendo em torno de 80 horas entre o pessoal de rádio, jornal, televisão.
Aliás, a televisão foi um fator preponderante para a profissionalização da publicidade. Nos tempos do rádio bastava um aventureiro ir batendo de porta em porta angariando anúncios para se transformar numa espécie de ‘‘corretor’’, que fazia a ponte entre a empresa e a rádio. Os jornais, por sua vez, não tinham maior importância no setor.
Com o advento da TV surgiram outras necessidades tanto de mercado como de profissionalização. Mas o início dessa nova era foi cheio de tropeços, mesmo porque era preciso dominar a técnica com transmissão ao vivo. Não tinha, até então, o milagre do videoteipe. Apresentadores e garotas-propaganda esqueciam o texto, o cenário despencava, móveis e eletrodomésticos encrencavam. (Z.C.L.)

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