Dos Índios Krahô a Caetano Veloso
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quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Ivany Carlos Magno/DivulgaçãoA orquestra de alunos em dia de ensaio: oficina movimenta CuritibaA 16ª Oficina de Música movimenta esta quarta-feira curitibana. Além de um grande concerto no Guairão, às 21h, com 100 instrumentistas e coro formado por 70 vozes, haverá apresentação de novos compositores no auditório do Colégio Estadual, às 16 horas. E no Clube Concórdia tem início o 2º Simpósio Latino-Americano de Musicologia, com um concerto organizado pela Orquestra de Música Colonial do 6º Encontro de Música Antiga, sob regência do maestro Graham Griffiths.
Pesquisadores, musicólogos e estudantes discutirão até o dia 24 diversos fatores sobre a prática, a produção e as tradições musicais da América Latina. Vamos discutir desde a música dos índios Krahô até o tropicalismo, comentou Elisabeth Seraphim Prosser, responsável pelo evento.
Dois professores vieram do exterior especialmente para fazer parte dos 20 conferencistas aguardados no encontro. Aurelio Tello, da Universidade da Cidade do México, e Gerard Béhage, da Universidade de Austin, no Texas, participam do primeiro e do último dia, respectivamente.
O mexicano Aurelio Tello fará amanhã uma explanação sobre Manuel Sumaya, compositor barroco do século 18. No sábado, Gerard Béhage discorre sobre A Etnomusicologia na América Latina: História e Ideologia.
PesquisasQuinze pesquisadores apresentarão trabalhos pioneiros na recuperação do acervo musical. A falta de memória é flagrante e se não houver um trabalho em caráter de urgência, o prejuízo será ainda maior para a história da música, além de tudo que já foi perdido.
Significativo, portanto, que o 2º Simpósio Latino-Americano de Musicologia inicie efetivamente seus trabalhos amanhã (hoje acontece apenas concerto de abertura), no Memorial da Cidade, sob o tema Musicologia Histórica dos Séculos 17 e 18.
Após a conferência das 10 horas do mexicano Aurelio Tello, as atividades prosseguem às 14h, com Painel e Debate I, tendo como expositores/debatedores Vicente Salles (Pa), que falará sobre O Cantochão dos Mercedários do Grão-Pará, Maurício Dottori (PR) que falará sobre As Reais Capelas Portuguesas e suas Influências na Prática Musical do Século 18 e Vitor Gabriel (SP) que falará sobre Aspectos de Ornamentação do Ofertório Ad te Levavi, de André da Silva Gomes.
O Painel e Debate II ocorre às 16h30, com Paulo Castagna (SP), que discorrerá sobre Sagrado e Profano na Música Mineira e Paulista da Primeira Metade do Século 18, Elisa Freixo (MG), Presença do Órgão Tubular no Brasil Colônia, André Cardoso (RJ), Jerônimo de Souza Lobo no Panorama da Música Mineira do Século 18.
Panorama dos séculos 19 e 20Dia 23 o tema é a Música Histórica dos Séculos 19 e 20. No Painel e Debate III, às 14h, Belkiss Carneiro (GO) traça Considerações sobre a Música em Cidades Goianas; Celso Loureiro Chaves (RS) fala de Armando Albuquerque - Uma Investigação Sobre o Antropófago da Cidade Baixa: Elisabeth Seraphim Prosser (PR) sobre Aspectos da Música Contemporânea em Curitiba na Segunda Metade do Século 20.
A partir das 16h30, no Painel e Debate IV, José Maria Neves (RJ) aborda Patrimônio Musical na América Latina e Lorenzo Mammi (SP) Laboratório de Musicologia da USP - Projeto para Elaboração de Catálogos Via Internet. Nesse dia, às 21h, José Eduardo Gramani lança o CD Mexericos da Rabeca, no Teatro da Reitoria da UFPR.
O último dia do Simpósio de Musicologia traz o tema Etnomusicologia, com a presença de Gerard Béhage (EUA), às 10h, que tratará de A Etnomusicologia na América Latina: História e Ideologia.
No Painel e Debate V, às 14h, Kilza Setti (SP) fará exposição de Os Sons do Perekahek no Rio Vermelho - Um Ensaio Etnográfico dos Fatos Musicais Krahô; Paulo Dias, O Jongo de Ontem e de Hoje; Alberto Ikeda (SP) Música Étnica como Cultura Alternativa: Os Anos 1990 na Cidade de São Paulo.
Às 16h30 tem início o Painel e Debate VI. Arnaldo Contier (SP) abordará Mário de Andrade: Música, História, Memória; Marcos Napolitano (PR) A Idéia de Linha Evolutiva na Música Popular Brasileira - 1962-1967; Manuel Veiga (BA) Ideologia da Cultura e da Música.
Os novosSomente músicas inéditas serão ouvidas na sessão das 16h, do Colégio Estadual. Os alunos de Composição da classe de Chico Mello mostrarão aquilo que produziram sob a assessoria do professor nos dez dias de aprendizado. O resultado foi proveitoso: criaram-se mais de 20 peças curtas.
Uma seleção feita dos melhores trabalhos dá idéia da profusão de tendências e estilos dos estudantes. As criações obedeceram a temas sugeridos por Mello, nas salas de aulas. A partir daí cada qual deu a sua versão sonora que pode ser desde tradicionais formações a performances.
Orquestra e coro no GuairãoA garotada da 16ª Oficina de Música comemora o final dos estudos em Curitiba apresentando-se num dos maiores teatros do País, o Guairão. Sob a regência do maestro Lutero Rodrigues, a orquestra formada por 100 instrumentistas e um coro de 70 vozes levarão à cena duas primeiras audições locais e uma nacional.
O Concerto para Flauta, Oboé, Clarinete, Fagote, Trompa e Orquestra de Cordas, de Ernest Mahle, foi escrito em 1995 e terá a estréia brasileira nesta noite. Os solos ficarão por conta dos professores Eduardo Monteiro (flauta), Luis Carlos Justi (oboé), José Botelho (clarineta), Noel Devos (fagote) e Zdenek Svab (trompa).
Assimilações, de Guerra Peixe, e a Sinfonia nº 3 em Mi Bemol Maior, de Robert Schumann, com a revisão instrumental de Gustav Mahler, fazem suas estréias na cidade. O programa completa-se com Provérbios, de Osvaldo Lacerda. Solos dos alunos de canto Paulo Barato (baixo), Marcelo Vizani Calazans (tenor), Ana Cláudia Specht (contralto) e Susie Georgiadis (soprano).
16ª Oficina de Música - Às 16h, no Colégio Estadual, apresentação das peças inéditas dos alunos de Chico Mello; às 18h, concerto de abertura do 2º Simpósio Latino-Americano de Musicologia, no Clube Concórdia, sob regência do maestro Graham Griffiths; e às 21h, no Guairão, concerto de encerramento da primeira fase da Oficina de Música, com orquestra formada por 100 instrumentistas e coro de 70 vozes. No programa, primeiras audições locais e uma nacional. Entrada franca em todos os espetáculos.


