Dos gramados para as telas
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Felipe Mendes<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro Uma mensagem de superação e de luta para atingir os objetivos. Foi assim que o craque Zico definiu o filme sobre a sua vida, durante entrevista coletiva que marcou o pré-lançamento do longa-metragem, no começo da semana, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio. A estréia de Zico em circuito nacional está prevista para o final de agosto. O filme pode ser lançado simultaneamente no Japão, onde o ex-jogador trabalhará como técnico da seleção do país até a Copa do Mundo de 2006.
O filme é um documentário-drama de 86 minutos, misturando depoimentos de familiares, amigos e fãs, cenas de arquivo da carreira de Zico e atores representando os principais personagens da história do maior ídolo do Flamengo.
O jornalista Celso Garcia, responsável por levar o craque à Gávea, Ronaldo Nazário de Lima e o ex-técnico Telê Santana são algumas pessoas que dão os seus depoimentos sobre o amigo. Zico só aparece em certos momentos, comentando sobre os principais momentos da sua vida.
''É uma história que ficará marcada para sempre no futebol. A idéia não foi minha e, a princípio, fiquei meio reticente por causa de uma experiência anterior'', afirmou Zico, referindo-se ao filme ''Uma Aventura do Zico'', em que interpretou a si mesmo. ''Eu pedi que destacassem os momentos de dificuldade por que passei para mostrar um Zico que muitas pessoas não conhecem'', disse.
Ele contou que o corte da seleção brasileira olímpica, em 1972, quando tinha 19 anos, fez com que pensasse em desistir do futebol. Além desse acontecimento, a perda do grande amigo e companheiro de Flamengo, o zagueiro Geraldo, o pênalti perdido na Copa do México, em 1986, e a grave contusão de joelho um ano antes também foram momentos de grande superação e tristeza. Aliás essa lesão provocou uma luta constante do craque contra a dependência da droga morfina, um poderoso analgésico, para conter a dor.
''Eu me emocionei muito ao assistir o filme e pude rever grandes momentos da minha vida'', disse Zico, destacando a cena em que observa o pai, seu Antunes, exercendo a profissão de alfaiate e a foto em que o irmão Zeca grita da arquibancada ao lado de Sandra, sua primeira namorada e com quem é casado até hoje.
O filho de Zico, Bruno de Sá Coimbra, co-produtor do filme, fez uma crítica às homenagens que são feitas no País. ''No Brasil, há essa cultura de se esperar a pessoa morrer para reverenciá-la'', afirmou. Já o diretor da produção, Elizeu Ewald destacou o outro lado do craque. ''O jogador a gente já conhecia. Agora, fomos apresentados ao homem, o Arthur.'' O filme tem seus pontos positivos e negativos.
Ele mostra com muita propriedade os principais momentos da vida de Zico, os seus belos e decisivos gols, mas omite o fato de o craque ter sido Ministro dos Esportes no governo Fernando Collor e ter criado a Lei Zico. O cargo de coordenador-técnico na Copa da França, em 1998, também não é citado.
Zico falou também sobre o seu mais novo desafio. ''Estou com quase 50 anos e tenho mais um obstáculo na carreira, que será ser técnico da seleção japonesa'', afirmou. O craque disse que ficará no Japão até o fim do ano e que pediu um amistoso contra Senegal antes da partida contra a Argentina, no dia 20 de novembro. Ele garantiu que a base da seleção que disputou o último Mundial deve ser mantida.


