Dora Vergueiro é valente no samba
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Alguns a conhecem como a ex-apresentadora de esportes radicais da SporTV. Outros a vêem como a filha do músico Carlinhos Vergueiro. Mas cada vez mais o público começa a enxergar Dora Vergueiro como uma cantora de voz suave e um canto simples e gostoso de se ouvir.
Seu terceiro disco, Samba Valente, que acaba de ser lançado pela Biscoito Fino, deve contribuir para a consolidação dessa nova imagem. Depois da estreia com Leve (1997) e do dançante Pé na Estrada (2001), agora a cantora volta mais madura, em um disco valente de sambas autorais. Todas as letras das 11 canções foram compostas por Dora, em cima de melodias criadas por Carlinhos Vergueiro e pelo produtor e arranjador Afonso Machado. Ouvi meu pai tocando uma melodia, achei lindo e ele me deu. Assim surgiu Sem Refrão. Ele adorou, me deu outra. Ele e o Afonso compunham e me mandavam a fita. Eu fazia a letra e mandava de volta. E assim, de uma em uma, chegamos a 20 músicas em dois anos, revela Dora, enfatizando a forma despretensiosa como o disco foi sendo elaborado.
Samba Valente quebra um hiato de nove anos longe dos estúdios. Nesse período, ela trabalhou como apresentadora televisiva, engravidou e explorou sua veia de compositora. Quem já a viu pulando de bungee jump e fazendo rapel pode achar que, para ela, dar a cara a tapa com um disco autoral é fichinha. Mas foi preciso coragem e ousadia. Pra ter coragem é preciso ter medo. Eu nunca tive medo de esportes radicais. Era desavisada. Quase morri em algumas ocasiões sem nem perceber. Depois que eu tive minha filha é que comecei a ter medo. Aí sim, passei a ter coragem. E expor o próprio trabalho assim exige coragem, sim, confessa.
Para Dora, a aprovação do pai, que tem célebres parcerias com Chico Buarque, Adoniran Barbosa e João Nogueira, entre outros, foi sinal de que estava no caminho certo. Meu pai não precisava me dar as 20 músicas. Ele gostou das minhas letras e o trabalho rolou naturalmente, com muita sintonia. Tanto que a parceria continua. E eu acabo de fazer uma outra música com o Toquinho, revela, sinalizando que um novo trabalho autoral pode vir por aí.
Em suas letras, a compositora aborda temas comuns ao samba, como os amores, a malandragem, a natureza e a própria roda de samba, com a intimidade de quem desde a infância conviveu com os parceiros do pai. As faixas Noites frias, Daquele jeito e a canção que dá nome ao disco estão entre os melhores momentos do CD. O bom do compositor é saber que você está espalhando sua semente. É gratificante saber que com minha música posso ajudar alguém, encorajar, levar um pouco de alegria.


