Elisa Marilia Carneiro
Assustador e surreal, o livro de fotografias de Klaus Mitteldorf, ‘‘O Último Grito’’, atrai pelo tema apavorante e curioso da morte e do renascimento. A água é o denominador comum nas cenas, que remetem ao conforto e ao drama. A mostra com 60 imagens do livro inaugura hoje às 20 horas, na Sala Célia Neves Lazzarotto no Museu Metropolitano de Arte.
Gritos de dor, em situações limites de afogamentos, focam rostos e desfocam o cenário. ‘‘As fotos são contundentes, registram formas e emoções, situações dinâmicas, mas improváveis - o que difere dos trabalhos anteriores, que reiteravam com harmonia o conceito de fotografia como imagem perfeita e fantástica que parece real’’, explica.
Com uma nova atitude diante da fotografia, o fotógrafo buscou a simplicidade. O livro ‘‘O Último Grito’’ foi lançado no ano passado em São Paulo e explora uma nova linguagem, hoje pressionada pelas novas tecnologias e virtualidade nos novos suportes.
Segundo o curador Rubens Fernandes Júnior, ‘‘esse ensaio é o resultado do amadurecimento e interiorização, uma tentativa do artista de mostrar sue lado desconhecido através de imagens fantasmagóricas.’’
A explicação pela escolha da água vem do fato de Klaus ter dedicado-se ao surf. As locações para a produção das fotos são bem diversas, vão desde um lago na Baviera ao Rio Paraguaçu, na Bahia, além de piscinas e praias.
O fotógrafo deversifica também na técnica. Usa uma Polariod, filmes para fotolito, e o processo de papel salgado do começo do século. As fotos são realizadas com tempo ruim, para valorizar a expressão dos gritos agonizantes.
Arquiteto de formação, Klaus dedica-se à fotografia e ao cinema desde a década e 70. Especializou-se em fortografia criativa nos meios de moda e publicidade. Nos últimos dez anos, tem trabalhado alternadamente no Brasil e na Europa, fazendo campanhas forográficas e filmes publicitários para grandes agências. Seus outros livros, lançados anteriormente, são ‘‘Norami’’ e ‘‘Photographs’’, em 1989 e 1992.
Exposição ‘‘O Último Grito’’, de Klaus Mitteldorf, no Museu Metropolitano de Arte (Avenida Repúlbica Argentina, 3430). de hoje a 15 de agosto, com visitação de terça a sexta-feira, das 13h às 20h30; sábados e domingos, das 15h às 18h30.Livro registra emoções e formas em situações dinâmicas e surreais
ReproduçãoImagens de dor, com tempo ruim, focam rostos e desfocam o cenário. O livro ‘‘O Último Grito’’, de Klaus Mitteldorf, trabalha a morte e o renascimento com linguagem simples

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