Cassio Chamecki e Leandro Knopfholz disseram à Folha 2 que não vêem conflito ético em exercer cargo público e receber patrocínio da Prefeitura de Curitiba em evento promovido pela empresa da qual são sócios. A mesma opinião têm o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) e o diretor da Calvin Entretenimento Victor Aronis, único dos três sócios da empresa que permanece só na iniciativa privada.
Chamecki, 30 anos, diz que o valor da verba de R$ 300 mil destinada este ano pela prefeitura ao Festival de Teatro já estava definido antes de ele assumir a presidência da Fundação Cultural. É o mesmo valor dos últimos cinco anos. ‘‘O festival é importante para a cidade e não poderia ser penalizado pelo fato de eu ter sido indicado (ao cargo)’’, afirmou, na última quarta-feira. ‘‘Se não fosse a minha empresa, o patrocínio seria o mesmo.’’
Chamecki disse também que, no dia 2 de janeiro – um dia após a posse – encaminhou seu pedido de afastamento da Apice, seguindo orientação da Procuradoria Jurídica do Município e de seu próprio advogado. ‘‘Mandei essa orientação para a empresa, eles devem ter seguido.’’
Em relação a continuar sócio da Calvin, o presidente da Fundação Cultural declarou que está licenciado das funções executivas da empresa. ‘‘Mas ela continua sendo minha, declaro no Imposto de Renda. Eu prefiro a transparência. Poderia adotar uma postura demagógica e transferir a empresa para um parente, como muitos fazem.’’
Leandro Knopfholz, 27 anos, afirmou que, ao assumir os cargos na prefeitura, ele e Chamecki ‘‘adiaram os projetos pessoais por quatro anos’’. ‘‘Temos uma postura de tranquilidade e transparência em relação a isso’’, afirmou.
Para Victor Aronis, 39 anos, seus sócios só foram chamados para a função pública em função do bom trabalho desenvolvido no festival. ‘‘Conosco, Curitiba se transformou na capital cultural do País’’, exagerou. Segundo ele, a empresa poderá até perder dinheiro com a escolha dos sócios. ‘‘A Fundação não poderá apoiar o Festival de Circo – outra promoção da Calvin –, como já estávamos negociando.’’
A assessoria de imprensa do prefeito informou que ele considera suficiente o fato de Chamecki e Knopfholz terem se licenciado da empresa. Em relação ao patrocínio, seria um bom negócio para a cidade, já que o festival divulga Curitiba como um ‘‘laboratório cultural’’ e atrai turistas e investimentos.
A secretária estadual de Cultura, Monica Rischbieter, disse que o patrocínio foi retirado devido à crise financeira do governo. Até o ano passado, a secretaria tinha uma verba específica para apoio a festivais de teatro, que beneficiava também eventos no interior. A Folha apurou que, ao contrário de sua antecessora, Lúcia Camargo, Monica é contrária à ‘‘proximidade’’ dos integrantes da Calvin com os governos estadual e municipal. (V.D.)
Leia na edição de amanhã da Folha 2: Empresa que promove o festival é acusada de sonegar direitos autorais e não pagar dívidas.

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