DONO DA BOLA NO MUNDO DAS ARTES
Francelino França
De Londrina
O VI Salão da Bahia desse ano revelou o artista plástico paranaense Luiz Carlos Brugnera, natural de Cascavel, para todo o País. Autodidata, sua produção é considerada reduzida, cerca de 60 obras. Mas já coleciona 20 prêmios em vários salões do Paraná, Santa Catarina e Bahia. No VI Salão da Bahia, aberto até 1º de março, dentre os 146 inscritos do Paraná, Brugnera foi o único artista parananense selecionado e premiado, com a instalação Azulejo.
Antes de desaguar no mundo das artes, o que aconteceu em 1994, Brugnera foi jogador de futebol dos 16 aos 20 anos. Defendeu as camisas do Cascavel, Caxias (RS) e Grêmio de Maringá. Vitimado por uma contusão, o jogador ficou sem rumo. Mudou de profissão, passando a atuar na área publicitária até finalmente incursionar pelas artes plásticas. Brugnera, provavelmente, é o único jogador de futebol que mudou de campo, partindo para as artes plásticas.
A essência do meu trabalho é o hiper-realismo, resume. Essa é uma técnica em que o desenho pode ser confundido com a fotografia, criando uma sensação ilusória do real. O tema nessa arte pictórica é menos relevante do que a fidelidade com que é representado, exigindo uma técnica apurada do artista. O material de trabalho chega a ser franciscano, apenas lápis, borracha e papel. Grafitismo é outro nome no qual é conhecido o hiper-realismo.
Tenho pouquíssimas obras em casa, confessa o artista, adepto incondicional do monocromatismo. Desde a primeira obra, premiada em Cascavel, até sua última, premiada em Salvador, é difícil estipular uma comparação. Fui evoluindo do figurativo para a total ausência de imagem. Os primeiros trabalhos eram de porte pequeno, as pessoas se aproximavam achando que era fotográfico. Depois foi se transformando num trabalho mais contemporâneo, prossegue. Do grafite sobre papel passou para o grafite sobre madeira. Do lápis, mudou para a caneta de ponta seca, de cor discreta. Em sua proposta de trabalho está construindo uma casa, tendo realizado iconograficamente o assoalho, a viga pré-moldada e chegou à parede de azulejos. Em Azulejo utilizou 600 unidades de caixinhas de CD vazias, onde são inseridos papéis coloridos de azul. Brugnera levou 8 meses para intelectualizar essa obra e 20 dias para produzi-la. 500 canetas Bic depois, a instalação ficou pronta.
Hoje, sente uma necessidade grande de voltar ao hiper-realismo. Atualmente está numa fase de grandes instalações, mas de caráter minimalista, onde a figura é a própria forma. O artista plástico confidenciou que jamais comercializou uma obra sua, creditada a uma certa inabilidade em colocar um valor naquilo que produz. Sua receita vem do trabalho como tatuador. Em breve, Brugnera terá um marchand para inseri-lo no mercado das artes.O ex-jogador de futebol Luiz Carlos Brugnera é premiado em salões de todo o País com suas obras hiper-realistas
DivulgaçãoLuiz Carlos Brugnera e sua instalação ilusionista Azulejo, onde utilizou 600 caixinhas transparentes de CD, recheadas com a cor monocromática de 500 canetas Bic





