As heroínas criadas pelo escritor baiano Jorge Amado, como Gabriela, Tieta do Agreste e Tereza Batista, sempre fizeram sucesso nas adaptações da Globo. Agora será a vez de‘‘ Dona Flor e seus Dois Maridos’’, com estréia prevista para o segundo semestre. A personagem ganhou notoriedade além das páginas escritas por Amado no filme homônimo dirigido por Bruno Barreto em 1976. Desta vez, a escrita será adaptada para a tevê por Dias Gomes e vai ao ar no formato de maxissérie com 35 capítulos. Dias Gomes sequer cogitou transformar a trama em novela. ‘‘A história é curta. Teria de ser muito esticada para preencher os cento e poucos capítulos de uma novela’’, argumenta.
Mesmo a transformação da história em maxissérie já deu bastante trabalho ao autor - o filme, por exemplo, teve 106 minutos. Vários personagens tiveram participação ampliada por Dias Gomes. E ele ainda teve de se equilibrar entre atualizar a trama e se manter fiel ao original.
A infância e adolescência de Dona Flor e Vadinho, por exemplo, foi desenvolvida para dar mais substância aos capítulos. Mesmo que não haja notícia de que qualquer uma das várias adaptações de suas obras tenha desagradado ao bonachão Jorge Amado, Dias Gomes faz questão de ressaltar que mostrou tudo ao escritor. ‘‘Ele ficou muito feliz com o resultado’’, ressalta Dias.
Concorrência Para viver o triângulo amoroso surrealista entre Dona Flor, o fantasma de seu primeiro marido, Vadinho, e o segundo marido Teodoro, estão escalados Letícia Sabatella, Edson Celulari e Marco Nanini, respectivamente. ‘‘Eu gosto muito do personagem e estou estudando todos os detalhes dos capítulos’’, diz Nanini.
Já Letícia Sabatella teve de enfrentar uma certa concorrência para ganhar a personagem. Passando por disputados testes, que envolveram atrizes como Carolina Ferraz, Giulia Gam e Cláudia Ohana, Letícia foi a escolhida. ‘‘Mas a minha participação ainda não é certa’’, desconversa a atriz.
Tanto a Globo quanto Letícia fazem questão de não precipitarem as coisas antes que a atriz assine efetivamente o contrato. Mas há poucas chances dela deixar passar a oportunidade de fazer um personagem tão marcante. Normalmente, as atrizes que interpretam as mulheres de Jorge Amado sempre ganham enorme projeção. Sônia Braga, Patrícia França e até mesmo Betty Faria estão aí para provar.
As primeiras gravações vão começar durante o Carnaval de Salvador - devem ir até abril - e a equipe de produção já está escolhendo as locações na capital baiana. Depois, entre maio e junho, a equipe vai para o Rio, onde farão estúdio e as poucas externas que faltarem.

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