‘Blues no Lago’: evento que reuniu milhares de pessoas teve participação das bandas e seus convidados, incluindo músicos mirins
‘Blues no Lago’: evento que reuniu milhares de pessoas teve participação das bandas e seus convidados, incluindo músicos mirins | Foto: Fotos: Gustavo Carneiro



Na música não são poucos os exemplos de filhos que seguiram os passos dos pais. Especialmente quando se fala em blues, jazz e soul music. A tradição de ter o primeiro contato com os instrumentos dentro de casa, pode ter como grande exemplo o saxofonista Ravi Coltrane, filho da pianista Alice com o lendário saxofonista John Coltrane. Ravi foi uma homenagem ao indiano Ravi Shankar, expoente da world music e pai da cantora Norah Jones.

É só puxar uma linha imaginária para ver que este fenômeno se repete ao longo do tempo sem nunca se saber ao certo se nasceu pela obrigação paterna ou foi apenas um caminho natural. Em Londrina esta relação pode ser admirada por centenas de pessoas no palco do Blues no Lago, evento que antecede a 8ª edição do Festival Blues de Londrina e que aconteceu neste domingo (29).

O "open act" foi do quarteto formado pelos irmãos Giovana e Gabriel Schmidt (voz e bateria) ao lado do primo Fernando Ishida (teclado) e de Maria Luiza Carelli (baixo). Os quatro jovens, que têm entre 10 e 17 anos, abriram o "pocket show" com uma das músicas mais conhecidas da cantora Amy Winehouse, "Rehab". Em seguida vieram "Fly Me To The Moon", "Cheek to Cheek" e o hino de Stevie Wonder, "Isn't She Lovely", contou com a participação do "padrinho" Kiko Jozzolino na guitarra.

"Faz tempo que queríamos fazer o blues para crianças e tivemos a oportunidade de conhecer estas crianças maravilhosas, filhos de musicistas. Tive o prazer de tocar com eles, convidamos e eles toparam prontamente", comemora o produtor cultural.

Na plateia o orgulho dos pais Miguel e Luciana inevitavelmente era acompanhado da audição crítica já que os dois são professores de música e os grandes incentivadores dos filhos.

Giovana Schmidt apresentou-se com o irmão Gabriel e os primos: blues em família
Giovana Schmidt apresentou-se com o irmão Gabriel e os primos: blues em família



"O Gabriel começou a fazer aulas com 15 dias. A minha esposa era professora de música e eu a acompanhava nas aulas na harmonização e na época não tinha com quem deixar e ele ia junto. Então ele participava de dez aulas por dia, já começou no útero da mãe", brinca o acordeonista e pai Miguel Santos.

Embora começar cedo seja fundamental os dois defendem que qualquer pessoa em qualquer idade pode começar a desenvolver habilidades para tocar qualquer instrumento.

"Nós temos alunos adultos no nosso estúdio mas depende muito de tempo, as crianças conseguem se dedicar mais, mas nós acreditamos que todos são capazes", explica a Luciana Schmidt, flautista e oboísta.

Em seguida foi a vez dos veteranos. Na programação a Três Tigres Trio deu lugar a Acústico Blues Trio, que viu a rua Bento Munhoz da Rocha Neto ficar pequena para mais de duas mil pessoas. Uma delas era o estudante do 5º ano de música da UEL Emerson Francisco da Silva, natural de Sabáudia e grande admirador do movimento cultural de Londrina e das relações que a música possibilita. "Acho bacana porque é muito pluricultural, um evento deste que traz o movimento forte do blues, do jazz e da música brasileira. Tem muita espaço pra muita coisa e para nós é ótimo, é difícil trabalhar pelo mercado mas tem lugar para encaixar todo mundo. Tem muita banda autoral e isso é ótimo", afirma.
Até o fim do evento, que terminou à noite, várias bandas e seus convidados passaram pelo palco, enchendo o domingo de blues.

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