São Paulo, 25 (AE) - Se, na noite dos anos 50, o seu público era formado por boêmios, descompromissados, livres de obrigações e responsabilidades com a família, hoje, Dolores Duran se surpreenderia com o perfil dos amantes da sua música. O musical "Dolores", que fica em cartaz até o dia 19, desperta, além de uma grande saudade dos "bons tempos", uma aproximação emotiva com fãs da intérprete.
O Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) recebe nesse período um número expressivo de senhores e senhoras. A beleza do musical está em provocar, sem apelos, a saudade de sentir a dor-de-cotovelo prazerosa. A definição é do engenheiro Jorge Batalha, de 65 anos, que assistiu à peça, na semana passada, com sua mulher, Flávia. Os dois estão casados há 30 anos e acreditam que é importante não deixar a saudade morrer.
Após o espetáculo, esse sentimento foi amenizado. "Existe uma faixa etária abandonada e que ama essa música", diz Batalha. "Nós nos lembramos da época da boate Flag, das nossas roupas e do nosso namoro." Dolores reconstrói, segundo ele, fielmente esse período. Para isso, o recurso utilizado pelo jornalista, cineasta e um dos idealizadores da peça, Douglas Dwight, ao lado de Lenita Ribeiro e Ney Madeira, foi o de entrevistar personalidades daquela fase. Além do competente elenco de atores, músicos e produção. Ele e Soraya Ravenle (que interpreta a cantora) conversaram por muitas horas, por exemplo, com Alberico Campana, Billy Blanco, Julie Joy, Marisa Gata Mansa e Nonato Pinheiro.
"Quando comecei a ler sobre a vida de Dolores, que desde pequeno me interessava, percebi que era intensa e muito curta", conta. "Do ponto de vista dramático, a narrativa perderia caso não fosse pontuada por sua obra musical", enfatiza. "Então optei por fazer um perfil jornalístico, vestido pelas canções compostas, gravadas e cantadas por Dolores."
"Muito mais do que reminiscência, esse espetáculo traz de volta tempos que não deveriam ter morrido", afirma Aluísio Sobral, de 75 anos, que se emocionou ao ver Soraya cantando "A Noite do Meu Bem", ao lado da mulher, Sofia, de 71 anos. Por esse sucesso unânime, a peça ficou em cartaz no Rio por 11 meses. O público se destaca pela nostalgia, mas há gente que aproveita a chance para conhecer a obra atemporal de Dolores. "Estamos apresentando um espetáculo para curiosos que se interessam em conhecer a música de Dolores, a sua época, os seus valores e o seu raro humor", acredita ele. SERVIÇO - Dolores. Musical. De Douglas Dwight e Fátima Valença. Direção de Antonio De Bonis. Direção musical de Tim Rescala. Duração: 1h40. De quinta a sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. R$ 20,00 e R$ 25,00. TBC - Sala TBC. Rua Major Diogo, 315
tel. 3105-1397. Até 19/12

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