Dolce far niente
Na hora de compor um personagem, vale tudo: observar mais atentamente as pessoas, pesquisar em livros, assistir a filmes ou, ainda, inspirar-se em si mesmo. Foi o caso de Alexandre Borges. Além de ter assistido a Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, ele voltou ao passado para buscar na adolescência aquela preguiça desmedida de Solano, em Zazá.
Como eu estudava de manhã, todo dia era aquele suplício para acordar cedo, recorda Alexandre. Isso para não falar da volta para casa, após as aulas. O primeiro passo era ligar a televisão. Depois ia para cozinha preparar um sanduíche, pegava uma coca-cola e esparramava-se no sofá para assistir a sessão da tarde. Um ritual diário comum a nove entre dez adolescentes.
Hoje em dia não é muito diferente. O lar-doce-lar é o melhor lugar do mundo para Alexandre Borges relaxar e passar boas horas deitado vendo tevê ao lado da mulher Júlia Lemmertz. As pessoas têm culpa de sentir prazer na preguiça. Quando estão sem fazer nada, inventam logo de lavar louça ou ir ao supermercado, diz, numa defesa que engloba a si mesmo e ao personagem, um preguiçoso sem culpa, na concepção de Alexandre.





