Dólar vai causar reflexo na venda de passagens
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Fabiana Futema<br> Agência Folha 
São Paulo A alta do dólar é mais um fator que joga contra o plano dos agentes de viagens de elevar a venda de passagens internacionais. Desde os atentados terroristas de 11 de setembro do ano passado, o fluxo de turistas brasileiros para o exterior caiu muito. No primeiro semestre, as vendas de passagens internacionais caiu 15% em relação ao mesmo período de 2001. Já as vendas de bilhetes nacionais cresceu 30% no mesmo período.
Segundo o presidente da Abav-SP (Associação Brasileira de Viagens de São Paulo), Amauri Caldeira, ainda não é possível medir o impacto do dólar sobre a venda de passagens internacionais. ''A oscilação mais forte do dólar aconteceu nas últimas semanas, na alta temporada de férias de julho. As vendas de passagens internacionais de lazer deste período não foram prejudicadas, pois costumam ser feitas com 60 dias de antecedência.''
O turismo de negócio que apresenta movimento fraco em julho também não sofreu o impacto do aumento do dólar. ''O turismo de negócio responde por 50% de todo movimento de viagens do país. Mas quem viaja a trabalho, mesmo na baixa temporada de negócios, não muda sua passagem em função do dólar'', disse Caldeira.
Segundo ele, a indústria de turismo deve fechar o ano com os mesmos indicadores do primeiro semestre (queda de 15% nas viagens internacionais e alta de 30% nas nacionais), mas os resultados não podem ser utilizados sozinhos, sem levar em conta o contexto de cada época.
''O setor ainda sofre os resquícios dos atentados terroristas. O resultado do primeiro semestre de 2002 foi prejudicado pelos atentados de setembro de 2001. Da mesma forma, a comparação do segundo semestre de 2002 com o mesmo período de 2001 pode ser beneficiada. É difícil fazer projeções.'' Caldeira disse que além do dólar e dos atentados terroristas, o setor também é prejudicado pelas incertezas geradas pelo atual cenário político-econômico. ''Não dá para culpar só o dólar por tudo. Nem dizer que só o turismo internacional será prejudicado. Toda a indústria, inclusive a de turismo, está sentindo o impacto da redução de consumo do brasileiro, que tem medo de fazer gastos agora.''


