Dólar é principal barreira para turistas brasileiros
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Nathalia Molina<br> Agência Estado 
Os efeitos dos ataques de 11 de setembro do ano passado não são o grande problema para o brasileiro que viaja para os Estados Unidos. O vilão é mesmo a alta cotação do dólar. Essa era a opinião predominante entre as operadoras do Brasil que foram ao La Cumbre, evento do turismo norte-americano voltado para a América Latina, realizado em Las Vegas.
Em 2001, o total de turistas estrangeiros nos EUA foi de 45,5 milhões, de acordo com estimativas do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. O número foi 5,4 milhões menor que o registrado em 2000. Para este ano, são esperados 46,3 milhões de visitantes.
Com os brasileiros, a situação não foi diferente. No ano passado, o número de turistas tupiniquins caiu 23% em relação a 2000. O Departamento de Comércio espera um aumento de 5% para 2002. A expectativa da Travel Industry Association of America (TIA), porém, é mais conservadora. No início deste ano, a entidade chegou a projetar um crescimento de 12%. Mas hoje trabalha com uma provável queda de 4%, segundo Luiz Moura, gerente da TIA para a América Latina.
Um levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), divulgado esta semana, mostra que as vendas para o país continuam em queda de 20%. No primeiro mês após os ataques, de acordo com Moura, da TIA, a diminuição no número de turistas do Brasil, Inglaterra e Japão foi de 60%.
''Não tem a ver com 11 de setembro porque todos recuperaram, com exceção do Brasil. O principal fator (inibidor) é o câmbio.'' O balanço era unânime entre profissionais do Brasil presentes no La Cumbre, e a expectativa é de crescimento gradual nas viagens para os EUA, principalmente após as eleições. O medo de terrorismo parecia assustar o mercado norte-americano. Entre os brasileiros, porém, esse medo de novos ataques não impede o embarque. ''Depois dos atentados, a gente achou que EUA nunca mais. Aí os preços caíram, e o brasileiro reage bem a preços'', disse Magda Nassar, diretora da Soft Travel.
De acordo com Magda, os ataques afetaram as vendas, mas a recuperação veio antes do esperado. ''O problema é muito mais o dólar e as eleições.'' A Soft Travel faz parte do See America, grupo de operadoras brasileiras que, juntas, divulgam os EUA, além de seguir trabalhando nichos de mercado próprios.
Bárbara Picolo, gerente de produtos da CVC para a América do Norte e Caribe, também estava otimista: após os atentados, a CVC sofreu perda de 25% nas viagens para os EUA, mas 20% já foi recuperado. Mas a Flórida, Estado mais visitado por brasileiros, caiu de terceiro para quinto no ranking de visitantes. Em 2001, foram 280 mil brasileiros, 35% a menos que 2000. ''Antes de 2004, a situação não se normaliza pela complicação para obter visto e pelo câmbio'', disse Augusto Leal de Barros, diretor do Visit Florida para o Brasil.
Uma das saídas do mercado nacional para driblar a alta cotação do dólar é vender pacotes mais baratos, ou seja, com menos opcionais. Por isso, a grande tendência apontada é o ''fly & drive'', tanto nas participantes do See America como nas concorrentes. Todas estão criando mais desses roteiros, que incluem parte aérea, hotel e aluguel de carro, para oferecer mais variedade. Para Moura, da Tia, o brasileiro consegue aproveitar as vantagens do ''fly & drive'' preço e liberdade para montar a viagem porque já conhece bem o destino, viaja com frequência aos Estados Unidos. ''No início da década de 90, 80% das vendas eram de pacotes em grupo. Hoje não chegam nem a 20%.''


