Dolabella volta à novela
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segunda-feira, 09 de março de 1998
Eduardo Minc TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasPara Carlos Eduardo Dolabella, hoje menos de 10% das pessoas confundem personagem com o atorCarlos Eduardo Dolabella demorou 11 anos para descobrir que não tinha sido o responsável por uma ponte de safena no diretor de núcleo Paulo Ubiratan. Fiquei na geladeira um bom tempo porque me disseram que além da Tônia Carrero, do Mário Gomes e da Lúcia Veríssimo, eu era o responsável pelos problemas de coração do Paulo, conta o ator. Mas depois que Paulo garantiu que tudo não passou de um mal-entendido - e ele só tinha realmente três pontes de safena -, Dolabella voltou às boas com a Globo e reaparece na emissora no papel do patético executivo Arnaldo. Com uma atuação irônica, ele acredita que está correspondendo às expectativas do autor Manoel Carlos. O Manoel acertou em cheio no meu personagem e no do Paulo José, acredita. Leia a seguir, trechos da entrevista concedida pelo ator.
Quem lembrou seu nome para fazer Por Amor, depois que você ficou afastado das novelas da Globo durante 11 anos?
O Daniel Filho estava procurando um nome para atuar numa novela do horário nobre, que seria a do Euclydes Marinho ou a do Manoel Carlos. Como a novela do Euclydes não vingou, o Manoel fez questão que eu marcasse o meu retorno à emissora numa trama que fosse escrita por ele. Nesse período todo, eu só trabalhei em alguns episódios de Você Decide e fiz uma participação em A Próxima Vítima, na qual morria no primeiro capítulo. O Daniel já estava fazendo muita força para que eu voltasse à Globo e quando falou o meu nome para o Paulo Ubiratan, o Paulinho disse: Pôxa rapaz, boa lembrança.
Mas não foi o mesmo Ubiratan que colocou você na geladeira?
Acredito que isso tenha sido um mal-entendido que demorou tempo demais para ser revisto. Acontece que, num belo dia, uma repórter tinha me ligado dizendo que o Ubiratan havia dito que eu era responsável por uma das pontes de safena dele, juntamente com a Lúcia Veríssimo, o Mário Gomes e a Tônia Carrero.
Como você respondeu a acusação?
Eu escrevi uma carta para o jornal dizendo que isso não poderia ser verdade. Simplesmente porque, ao conversar com médicos e ler revistas especializadas sobre doenças do coração, percebi que só quem sofre desse tipo de problemas é quem já tem uma predisposição genética para isso. Nenhuma pessoa, pode ser a responsável por causar um infarto em outra ou levar alguém a colocar pontes de safena. Não sei se isso chegou aos ouvidos dele. Mas o fato é que, depois desse episódio, eu fui afastado da Globo.
Como está o seu relacionamento com o Ubiratan hoje?
Ele me recebeu de braços abertos. Quando nos encontramos recentemente, ele jurou que não tinha falado o meu nome para a jornalista e que só tinha realmente três pontes de safena e não quatro.
Como você situaria o Arnaldo, de Por Amor, na galeria dos seus personagens?
Não é tão marcante quanto o Delegado Falcão, da primeira versão de Irmãos Coragem. Você sabe que até hoje quando vou ao interior do país, tem gente que me chama de Delegado Farcão. Mas o Arnaldo está me dando a possibilidade de fazer graça, mesmo sendo sério. É um personagem que, no início da novela, observava mais do que agia. Ficava com aquele ar blasé e se lixando para tudo o que acontecia com a família e em volta dele. Até o momento em que ele começa com essa história de procurar uma amante, provocado pela Branca que sacaneia ele há 30 anos. Aí ele resolve sair em campo e ter as diversões dele fora de casa. E se tornou um personagem patético. As cenas com a Suzana Vieira são muito boas porque a gente tem uma sintonia ótima e passa espontaneidade.
O perfil do Arnaldo não é o de nenhum ingênuo. Como, então, ele vai perceber que é enganado pela amante?
Acho que o Arnaldo não é nenhum idiota e a Isabel está fazendo ele parecer um imbecil. Tenho de obedecer ao autor, mas é evidente que eu questiono que um sujeito malandro como ele seja assim. A Isabel faz tudo de um jeito muito falso, provavelmente para se defender e mostrar para o público que não está fazendo um trabalho de prostituta, e sim de quem quer uma vingança. O Jardel Filho também era assim. Elaborava demais o papel. Em todo caso, acho que o público percebe claramente atuações diferenciadas.
Esse mesmo público ainda é influenciado pelas novelas como há 30 anos, quando você começou na tevê?
Acho que sempre influenciou e continua cada vez mais. Hoje você vive numa aldeia global. Um sujeito solta uma moda em Nova York e daqui a pouco, homens e mulheres do mundo todo já estão se vestindo da mesma forma. O Dancin Days, do Gilberto Braga, botou as meninas no Nordeste usando aquelas meias coloridas e quentíssimas. É pedir para que elas morressem desidratadas. No caso de Por Amor, o personagem da Milena, da Carolina Ferraz, é quem dita a moda e está influenciando mais pessoas. Todo mundo quer copiá-la, desde o corte de cabelo, os óculos até o jeito dela se vestir.
E o público continua confundido ator e personagem?
Está acontecendo uma coisa bem legal e diferente. O público me cumprimenta pelo trabalho e não fica mais falando coisas do tipo: Pô, Arnaldo, larga a amante. Deixa de ser bobo. Menos de 10% das pessoas fazem esse tipo de abordagem. Outra coisa que me deixa feliz é de ver as pessoas falando para mim na rua: que bom que você voltou. Não imaginei que teria uma recepção desse tipo.


