Luiza Dantas/Carta Z NotíciasPara Carlos Eduardo Dolabella, hoje menos de 10% das pessoas confundem personagem com o atorCarlos Eduardo Dolabella demorou 11 anos para descobrir que não tinha sido o responsável por uma ponte de safena no diretor de núcleo Paulo Ubiratan. ‘‘Fiquei na geladeira um bom tempo porque me disseram que além da Tônia Carrero, do Mário Gomes e da Lúcia Veríssimo, eu era o responsável pelos problemas de coração do Paulo’’, conta o ator. Mas depois que Paulo garantiu que tudo não passou de um mal-entendido - e ele só tinha realmente três pontes de safena -, Dolabella voltou às boas com a Globo e reaparece na emissora no papel do patético executivo Arnaldo. Com uma atuação irônica, ele acredita que está correspondendo às expectativas do autor Manoel Carlos. ‘‘O Manoel acertou em cheio no meu personagem e no do Paulo Jos钒, acredita. Leia a seguir, trechos da entrevista concedida pelo ator.
Quem lembrou seu nome para fazer ‘‘Por Amor’’, depois que você ficou afastado das novelas da Globo durante 11 anos?
O Daniel Filho estava procurando um nome para atuar numa novela do horário nobre, que seria a do Euclydes Marinho ou a do Manoel Carlos. Como a novela do Euclydes não vingou, o Manoel fez questão que eu marcasse o meu retorno à emissora numa trama que fosse escrita por ele. Nesse período todo, eu só trabalhei em alguns episódios de ‘‘Você Decide’’ e fiz uma participação em ‘‘A Próxima Vítima’’, na qual morria no primeiro capítulo. O Daniel já estava fazendo muita força para que eu voltasse à Globo e quando falou o meu nome para o Paulo Ubiratan, o Paulinho disse: ‘‘Pôxa rapaz, boa lembrança’’.
Mas não foi o mesmo Ubiratan que colocou você na geladeira?
Acredito que isso tenha sido um mal-entendido que demorou tempo demais para ser revisto. Acontece que, num belo dia, uma repórter tinha me ligado dizendo que o Ubiratan havia dito que eu era responsável por uma das pontes de safena dele, juntamente com a Lúcia Veríssimo, o Mário Gomes e a Tônia Carrero.
Como você respondeu a acusação?
Eu escrevi uma carta para o jornal dizendo que isso não poderia ser verdade. Simplesmente porque, ao conversar com médicos e ler revistas especializadas sobre doenças do coração, percebi que só quem sofre desse tipo de problemas é quem já tem uma predisposição genética para isso. Nenhuma pessoa, pode ser a responsável por causar um infarto em outra ou levar alguém a colocar pontes de safena. Não sei se isso chegou aos ouvidos dele. Mas o fato é que, depois desse episódio, eu fui afastado da Globo.
Como está o seu relacionamento com o Ubiratan hoje?
Ele me recebeu de braços abertos. Quando nos encontramos recentemente, ele jurou que não tinha falado o meu nome para a jornalista e que só tinha realmente três pontes de safena e não quatro.
Como você situaria o Arnaldo, de ‘‘Por Amor’’, na galeria dos seus personagens?
Não é tão marcante quanto o Delegado Falcão, da primeira versão de ‘‘Irmãos Coragem’’. Você sabe que até hoje quando vou ao interior do país, tem gente que me chama de Delegado Farcão. Mas o Arnaldo está me dando a possibilidade de fazer graça, mesmo sendo sério. É um personagem que, no início da novela, observava mais do que agia. Ficava com aquele ar blasé e se lixando para tudo o que acontecia com a família e em volta dele. Até o momento em que ele começa com essa história de procurar uma amante, provocado pela Branca que sacaneia ele há 30 anos. Aí ele resolve sair em campo e ter as diversões dele fora de casa. E se tornou um personagem patético. As cenas com a Suzana Vieira são muito boas porque a gente tem uma sintonia ótima e passa espontaneidade.
O perfil do Arnaldo não é o de nenhum ingênuo. Como, então, ele vai perceber que é enganado pela amante?
Acho que o Arnaldo não é nenhum idiota e a Isabel está fazendo ele parecer um imbecil. Tenho de obedecer ao autor, mas é evidente que eu questiono que um sujeito malandro como ele seja assim. A Isabel faz tudo de um jeito muito falso, provavelmente para se defender e mostrar para o público que não está fazendo um trabalho de prostituta, e sim de quem quer uma vingança. O Jardel Filho também era assim. Elaborava demais o papel. Em todo caso, acho que o público percebe claramente atuações diferenciadas.
Esse mesmo público ainda é influenciado pelas novelas como há 30 anos, quando você começou na tevê?
Acho que sempre influenciou e continua cada vez mais. Hoje você vive numa aldeia global. Um sujeito solta uma moda em Nova York e daqui a pouco, homens e mulheres do mundo todo já estão se vestindo da mesma forma. O ‘‘Dancin’ Days’’, do Gilberto Braga, botou as meninas no Nordeste usando aquelas meias coloridas e quentíssimas. É pedir para que elas morressem desidratadas. No caso de ‘‘Por Amor’’, o personagem da Milena, da Carolina Ferraz, é quem dita a moda e está influenciando mais pessoas. Todo mundo quer copiá-la, desde o corte de cabelo, os óculos até o jeito dela se vestir.
E o público continua confundido ator e personagem?
Está acontecendo uma coisa bem legal e diferente. O público me cumprimenta pelo trabalho e não fica mais falando coisas do tipo: ‘‘Pô, Arnaldo, larga a amante. Deixa de ser bobo’’. Menos de 10% das pessoas fazem esse tipo de abordagem. Outra coisa que me deixa feliz é de ver as pessoas falando para mim na rua: ‘‘que bom que você voltou’’. Não imaginei que teria uma recepção desse tipo.

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