São Paulo, 21 (AE) - Amanhã (22) ocorre o lançamento de dois registros importantes para a música brasileira. Na Sala São Paulo, na Praça Júlio Prestes, a Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo lança seu quarto disco, "Música Popular do Brasil", pela gravadora Pau Brasil. No Itaú Cultural (IC) haverá uma mesa-redonda sobre a música brasileira no rádio, que marca o lançamento da inédita série "Histórias da Música Brasileira", um programa de rádio com 20 episódios.
O maestro, compositor e pianista Nelson Ayres foi uma peça importante na execução desses dois registros. Ayres explica os valores estéticos embutidos nas diferentes propostas. Durante dez anos ele foi o regente da Jazz Sinfônica. Nesse tempo pôde acompanhar a feitura de discos como "Mundo São Paulo, 2IHU Kewere: Rezar" (com Marlui Miranda), "50 Anos de Música" (uma homenagem ao compositor de arranjador Cyro Pereira) e o lançamento de "Música Popular Brasileira". "O trabalho da Jazz é de extrema personalidade, justamente por ser a única sinfônica que tem como objetivo registrar música popular", afirma. "O novo álbum é o primeiro em que ela grava o seu repertório de shows, as peças mais solicitadas pelo público."
As composições que ganham tratamento sinfônico são de Milton Nascimento ("Vera Cruz"), Edu Lobo e Chico Buarque ("Beatriz"), Toninho Ferragutti ("Sanfonema"), Pixinguinha e João de Barros ("Carinhoso"), Ayres ("Olé e Chiquito no Frevo") e Cyro Pereira ("Aquarela de Sambas"). A Jazz Sinfônica tem hoje 90 integrantes e é um dos corpos estáveis da Universidade Livre de Música Maestro Tom Jobim. Os arranjos são de Ayres, Pereira, Edmundo Villani e Edson José Alves. Segundo o maestro, a Jazz Sinfônica está expandido a leitura da música nacional em território estrangeiro. Em setembro, ela se apresentou ao lado da Orquestra de Jerusalém.
Novas possibilidades - Com a saída da regência da Jazz Sinfônica, neste ano, Ayres pôde dedicar-se a novos projetos. Em especial, à criação da série de programas para rádio, "Histórias da Música Brasileira" - ao lado de Maria Luiza Kfouri, Valvênio Martins, Marcelo Aguiar e Alcides Antenucci -, produzido pelo Itaú Cultural.
"O intuito é o de rememorar casos interessantes da música brasileira e de estabelecer referências novamente; observar que o papel de protesto que o rap tem atualmente era feito em 1912, por exemplo", diz. Esse assunto será tratado no segundo programa, "Sátira e Protesto".
O projeto tem ainda outro ponto muito importante: ele torna disponíveis gratuitamente os programas para qualquer rádio do Brasil. Os veículos interessados podem solicitar o CD, com o conteúdo de "Histórias da Música Brasileira", por meio do fax (0--11) 238-1832). Os programas explicam épocas diferentes da nossa música, como o período de Carlos Gomes, de Heitor Villa-Lobos, a bossa nova e o rock dos anos 80. Além disso, eles não se limitam à cronologia. Há, por exemplo, em "Trabalhando em Conjunto" (17.º da série), um paralelo entre os grupos vocais intrumentais do Bando da Lua até o Uakti e os Paralamas do Sucesso, incluindo regionais, trios, big bands, quartetos vocais e duplas.
Eles têm duração média de uma hora e, na sua estrututa, depoimentos de artistas, como é o caso de Antônio Carlos Jobim, no programa de estréia, "Os Descobrimentos do Brasil", em que ele fala de suas composições para a peça e o filme "Orfeu".
Amanhã (22) ocorre uma mesa-redonda que vai discutir a música brasileira no rádio, no Itaú Cultural. O evento conta com a participação dos criadores dos programas e ainda do pianista e coordenador do Núcleo Musical, Benjamim Taubkin, e as jornalistas Patrícia Palumbo (rádio Eldorado FM) e Regina Porto. "Histórias da Música Brasileira" estréia na segunda-feira, às 18 horas, na rádio Cultura AM. Serviço - Histórias da Música Brasileira. Amanhã (22), às 20 horas. Grátis. Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, tel. 238-1816. Orquestra Jazz Sinfônica. Amanhã, às 21 horas. De R$ 5 00 a R$ 20,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 223-2199

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