DOIS POEMAS
Amo a luz
Como a uma rebentação de vogais
Na boca amordaçada
Se comparo este escalpelo
Ao desamor do mundo
Nenhum grito darei
Neste inteiro silêncio
Fico com
Palavras trêmulas e tão frágeis
Que me pedem o aprendizado de outras
Para mais amar o desamado mundo
Cada um é só
Em sua casa
Nem na palavra
Somos muito
(Cristina de Mello)





