Intérpretes e compositores se dividem quando o assunto é o Ecad. O cantor e compositor Sorocaba, líder de arrecadação no escritório em 2011, se diz favorável à atuação da entidade.
''O Ecad tem beneficiado muito os compositores. Eles têm feito um grande trabalho. Acredito que os valores pagos são corretos. Nossa editora também fica no controle, o que nos ajuda a ter uma referência maior. Nós, artistas, estamos em constante troca de informações, assim conseguimos, através da nossa união, fortalecer a nossa categoria'', afirma o cantor.
Por outro lado, Fernando Anitelli, cantor e compositor do grupo Teatro Mágico, diz que o Ecad é ''uma caixa-preta'' e que é necessário criar mecanismos de fiscalização da entidade.
''Uma vez o Ecad multou o Teatro Mágico porque nós tocamos nossas próprias músicas. O Ecad estabelece que, 15 dias antes da apresentação, seja informado quais músicas serão tocadas. Uma vez, esquecemos de mandar essa lista. Um fiscal apareceu na portaria e falou que iria nos multar porque estávamos tocando sem autorização do Ecad. 'Estamos protegendo a sua música', ele disse. Como assim? Ele estava protegendo a minha música de mim mesmo?'', relata Anitelli.
''O Ecad cobra basicamente de tudo que produz som. Cobra se toca música em sala de espera de dentista, em salão de cabeleireira. Depois, paga por amostragem. Ou seja, quem recebe são as mesmas editoras, as mesmas gravadoras'', critica.
A reação à CPI do Ecad demonstra bem essa divisão. Em abril, quando o relatório da comissão foi aprovado, músicos foram a Brasília manifestar apoio à investigação e às mudanças sugeridas. Por outro lado, artistas pró-Ecad começaram recentemente a recolher assinaturas para enviar um manifesto ao Congresso Nacional.

Imagem ilustrativa da imagem Dois lados da moeda
| Foto: INFOGRÁFICO
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