Depois de atuarem como operários da construção civil durante dois anos em ‘‘Silêncio, Estamos Trabalhando’’, os atores Mauro Zanatta e Richard Rebello entram agora na pele de dois eletricistas. Eles são, respectivamente, Alfredo e Doca, o primeiro um típico esperançoso com o que a vida tem a lhe dar; o segundo é o exemplo do desesperançado. Os diálogos e as situações em que se metem poderão ser visto no miniauditório do Teatro Guaíra, em Curitiba.
Para evitar que confundam os operários das duas montagens, Richard avisa que esta é uma história completamente diferente. ‘‘Aqui tem uma coisa mais autêntica, falamos de coisas muito nossas’’, conta. O espaço também é outro - acontece no tablado do teatro, enquanto a peça anterior se passava no calçadão da Boca Maldita, com o público à sua volta. ‘‘Esta é uma montagem de clown moderno, é mais realista’’, emenda o ator e diretor Zanatta.
Alfredo e Doca foram talhados durante as apresentações de miniespetáculos nos pátios das fábricas, em Curitiba, através de um projeto voltado ao programa de padrão de qualidade. Assim como acontece nas fábricas, também no Guaíra vai rolar diálogos e situações hilariantes, apesar de que, sob o riso, resta a seriedade da vida.
Mauro Zanatta avisa que ‘‘Operário Patrão’’ não tem ‘‘qualquer pretensão de passar lições de moral’’. O que ele e Richard querem é divertir a platéia, nos papéis de dois atrapalhados eletricistas que foram chamados para consertar uma lâmpada mas acabam comprometendo todo o sistema elétrico.
Satisfeito com o resultado da produção, o diretor comenta que a peça é ‘‘quase o fechamento de uma etapa e a abertura da concretização de uma linha de trabalho que vinha buscando há muito tempo - a existência através da cumplicidade’’.
A cumplicidade citada por Zanatta começa pelo parceiro Richard Rebello. Em cena eles sabem exatamente como conduzir as improvisações. Basta um levantar da sobrancelha para que a linguagem tenha sido estabelecida. Estende-se ainda ao produtor Jewan Antunes - que tem na mira a montagem de ‘‘O Engolidor de Distâncias’’, para março de 1999 - e aos colaboradores que deram uma força vital para o espetáculo chegar ao palco.
Sem contar recursos da lei de incentivo, a produção sustentou-se na confiança dos patrocinadores. ‘‘Conseguimos tudo de graça’’, exulta Jewan. Ele enumera o apoio do Banestado e do Canadá Fotolitos entre outros. ‘‘É uma parceria dentro e fora dos palcos.’’
‘‘Operário Patrão’’ permanece em cartaz até novembro, mas os atores estão abertos a propostas de trabalho nas empresas, abordando qualidade de vida, prevenção do trabalho, qualidade total, relacionamento entre as pessoas. ‘‘Já montamos um espetáculo em 20 minutos. Era o tempo que havia para imaginar as cenas e adaptar o espaço. Foi um sucesso’’, conta Rebello. Mauro Zanatta deixa o número do telefone para contato: (041) 252-2383.
• Operário Patrão - criação coletiva, direção de Mauro Zanatta. Com Mauro Zanatta e Richard Rebello. Às 23h45, no miniauditório do Teatro Guaíra. A temporada prossegue até 14 de novembro. Ingressos: R$ 10,00, R$ 7,00 (bônus) e R$ 5,00 (classe artística e estudantes).

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