Dois artistas, dois estilos
Noite desta quinta-feira (6) terá show do cantor e compositor Edvaldo Santana e do cantor, compositor e violeiro Osni Ribeiro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de junho de 2019
Noite desta quinta-feira (6) terá show do cantor e compositor Edvaldo Santana e do cantor, compositor e violeiro Osni Ribeiro
Marian Trigueiros - Grupo Folha 

Dois shows de peso acontecem em Londrina nesta quinta-feira (6): do cantor e compositor paulistano Edvaldo Santana, e do cantor, compositor e violeiro botucatuense Osni Ribeiro. Com estilos distintos, cada um vai apresentar parte de seu trabalho de maneira solo. E, apesar das diferenças estéticas musicais, ambos possuem uma trajetória pela composição autoral e parcerias importantes na música brasileira que também poderão ser apreciadas e conhecidas. Santana sobe ao palco do Valentino, às 21h, e Ribeiro no Brasiliano Bar & Cozinha, também às 21h. Ao longo do mês de junho, a cidade recebe outros nomes conhecidos da música brasileira.
Edvaldo Santana vai mostrar o repertório presente em seu álbum mais recente “Edvaldo Santana e Banda”, gravado em dezembro de 2017, no teatro do Sesc Pompéia (SP), como show de lançamento do álbum “Só Vou Chegar mais Tarde”. Ou seja, o lançamento de um álbum virou outro álbum. “Fizemos o registro e decidimos lançar.” Além das canções do disco, o show também traz músicas representativas na carreira de mais de 40 anos do artista paulistano. “Em Londrina, vou apresentar, ainda, duas canções inéditas que não foram gravadas”, adianta ele, dizendo que outra dezena já está pronta e deve ser registrada em breve.
O show por aqui será uma versão mais intimista do CD, ao som de voz e violão, mas no álbum é possível contemplar os vários instrumentos, incluindo metais, que levam o ouvinte aos diversos ritmos e fusões sonoras, características nas obras do compositor. “Esse emaranhado de sons é uma mistura muito natural para mim. Nunca tive preconceito com nenhum estilo, mas tudo precisa estar ligado, conectado e precisa funcionar. É uma diversidade que reflete em uma identidade que faz a pessoa ouvir e sentir algo”, diz ele, sobre a proximidade com gêneros como samba, repente, salsa, xote, jazz, country, dixieland, blues, reggae, muito presentes em suas obras.
Com 19 álbuns na carreira, incluindo nove trabalhos solos, sete coletâneas e três discos gravados com a banda Matéria Prima, os temas das canções, em grande parte das vezes, refletiram as causas humanas: das angústias às alegrias, do amor à solidão, dos conflitos sociais às poesias da vida urbana. “O fato de ser independente sempre me deu a chance de fazer o que gosto e falar do que quero. Isso é um privilégio para poucos. Por isso mesmo, não me interessa integrar ou depender do sistema do mainstream”, conta.
Inclusive, essa liberdade de composição, criação e experimentação foi o que permitiu, segundo ele, estabelecer relações de amizade e trabalho em todo o mundo. “Nessa longa caminhada aprendi muita coisa. Tocar com outras pessoas e obras de outras pessoas me fez aprimorar a minha forma harmônica, melódica, introduzir diferentes células rítmicas e de cantar também. Acredito, então, que já tenha experimentado de tudo em minhas composições, mas ainda estou atrás de um disco mais “suave”, com mais cordas e canções lentas.”
UNIVERSO CAIPIRA
Em outro palco da cidade, o cantor e compositor Osni Ribeiro também vai priorizar o autoral e o intimista, num formato que ele considera ser possível estar “mais sintonizado com cada momento, com liberdade de contar histórias, de sentir e mostrar saudades, de levar prosa e canções para os caminhos que se apresentarem mais acolhedores”. “É essa a proposta que vou mostrar: eu, a viola e a possibilidade de sentir, de ousar e até, por exemplo, experimentar parcerias, como esse encontro inédito que vamos protagonizar nesta noite”, pontua ele, sobre a participação do cantor e compositor londrinense Bernardo Pellegrini.
Em seu trabalho que classifica como música caipira, diz pautar seu olhar sob a ótica de onde ela é criada. “Como me reconheço caipira, acabo adjetivando a música que faço da mesma forma. Minha música, portanto, reflete expectativas, desejos, necessidades, anseios dos “caipiras”, que, em grande parte, refletem os sentimentos do brasileiro comum.” Dessa forma, não acredita que a urbanidade atual comprometa as fontes da música ou mesmo da cultura caipira, pois o seu “espectro é bastante diverso e abrangente”. “Os caipiras, do ponto de vista romântico, aqueles de ranchinho beira-chão, de carro de boi, de rodeio de boiada, não existem mais. Mas acredito que os artistas que vivem no interior e que, nesse cenário, ambientam sua obra, colaboram pra manutenção da música caipira.”

Neste processo, conta que compõem sozinho e, normalmente, letra e música saem juntas. “A harmonia também aparece, mesmo que prejudicada, mas que pode ser melhorada com a ajuda de bons músicos. Priorizo muito, então, a melodia, na qual sinto mais fluidez e, depois, trabalho a harmonia. Já com parceiros, o mais usual é construir a melodia sobre letras ou poesias.” Assim, percebe que o público mais jovem encontra e aprecia elementos de nostalgia em seu trabalho. “Talvez isso aconteça por um reconhecimento de outras épocas e modos de vida. No entanto, o público mais maduro reconhece essa nostalgia como saudade e consegue perceber as misturas propostas, o caminho de criação de uma paisagem caipira contemporânea”, conclui.
SERVIÇO
Show com Edvaldo Santana
Quando: Quinta-feira (6), às 21h
Onde: Bar Valentino (rua Prefeito Faria Lima, 486)
Quanto: R$ 15,00
Show com Osni Ribeiro
Quando: Quinta-feira (6), às 21h
Onde: Brasiliano Bar & Cozinha (av. Espírito Santo, 655)
Quanto: R$ 15,00


