'Doidas demais' é muito previsível
Vale a reiteração: infelizmente é muito comum encontrar filmes que, apesar de contar com bons atores e recursos bem razoáveis, preferem desperdiçá-los em argumentos de pouco ou nenhuma originalidade. Acabam apenas dando entretenimento passageiro a um público acostumado a banalidades que se encontram na tevê. ''Doidas Demais'' (confira programação de cinema na página 2) é um desses filmes. É tão inócuo, previsível e insosso como batatas fritas requentadas no micro. O mais grave é que podem até matar a fome, na ausência de coisa melhor disponível.
Em ''The Banger Sisters'' (literalmente, algo como ''As Irmãs do Barulho''), Suzette (Goldi Hawn) trabalha num clube de Los Angeles. Na juventude foi uma famosa e abusada ''groupie'', uma dessas tietes capazes de qualquer loucura para desfrutar da fama fugaz ao lado de roqueiros - no caso lendas como Jim ''The Doors'' Morrison e Frank Zappa. Despedida do emprego, decide viajar de carro para encontrar uma antiga companheira da era frenética. Quando se encontrar, Suzette descobre que a velha amiga Vinnie, agora Lavinia (Susan Sarandon), é uma pacata dona de casa, esposa devotada e mãe preocupada de duas jovens rebeldes como ela foi um dia. O conflito entre Suzette e Lavínia é inevitável.
A partir daí, as coisas são conduzidas para um final previsível. Mas não apenas o final. O diretor e roteirista Bob Dolman toma o caminho mais óbvio possível, de tal forma que ''Doidas Demais'' não pode aspirar a nada além de uma ''sitcom'' de hora e meia, um desses insípidos melodramas televisivos que estão sempre atrás de emoções ralas à base de sentimentalismo fácil e humor repetitivo. As duas personagens centrais acabam vítimas de reducionismo, o que é castigo severo para Susan e Goldie. Boas atrizes, mereciam material menos ligeiro, um tanto mais consistente. Como estão, apenas batem o ponto com profissionalismo, pegam seus cachês e saem de cena, desta vez sem entrar para a antologia das comédias. (C.E.L.J.)





