DOÇURA E PROFUNDIDADE
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de maio de 2001
Simone Mattos De Curitiba 
Os poemas de Zeca Corrêa Leite são sempre garantia de fortes emoções. Ouvi-los interpretados pela talentosíssima atriz Silvanah Santos, então, é algo inesquecível. Quem esteve presente na estréia do espetáculo Quinhentas Vozes no Teatro José Maria Santos, na noite de quinta-feira, em Curitiba, pôde conferir em primeira mão a doçura e a profundidade do espetáculo.
Sem querer, o público entra num universo de rádios ligados, feijão no fogo, latidos de cães, pedras de sabão Campeiro e Leite de Colônia. A facilidade do poeta em abordar a vida real e sem glamour foi amplamente compreendida pelo diretor Rodolfo García Vásquez que transformou o espetáculo numa viagem pelas recônditas memórias de cada espectador.
No palco, Silvanah se transforma em dona de casa, mulher abandonada, filha, divorciada, viúva, solteira e neta. Minha avó passava o pente nos cabelos da noite despencando estrelas que rolavam entre a cama e o toucador, diz um trecho de A Avó, um dos mais belos poemas do Quinhentas Vozes.
Resgatando inquietações, anseios e felicidades comuns, o espetáculo funciona como um velho álbum de fotografias. Embora fale diretamente sobre o universo feminino e seus segredos, a peça é antes de tudo humana. Aborda com sutileza e emoção o mais íntimo de cada ser, seja ele homem ou mulher.
A temporada de Quinhentas Vozes vai até dia 27 de maio, com sessões de quarta a sábado, às 21 horas, e aos domingos, às 19 horas, no Teatro José Maria Santos (Rua 13 de Maio, 655), em Curitiba. Ingressos a R$ 5,00, R$ 3,00 (bônus) e R$ 2,50 (estudantes). O livro homônimo foi lançado pela Polo Editora e já está a venda nas livrarias por R$ 10,00.


