Lucélia Aparecida Pereira, professora de História e Sociologia, diz que à primeira vista os japoneses são de fato um povo bastante reservado, mas quando percebem que o projeto é sério todos se envolvem e ajudam. ''Eles têm um sistema de informação que funciona muito bem, uns passam para os outros e todos acabam ajudando.'' Foi graças a esse sistema que conseguiram abrir as portas para a pesquisa. Ela conta que descobriu até um pioneiro em sua rua.
Segundo a professora, a pesquisa foi muita rica porque os japoneses preservam as origens e têm prazer em guardar o que é deles. ''Eles valorizam muito a cultura e isso os incentivou a falarem porque é uma forma de preservar a história deles. Encontramos as portas abertas, carinho, receptividade e respeito pelo projeto.'' Ela conta que tiveram que encerrar a pesquisa, mas que ainda hoje as pessoas procuram para dizer que têm documentos, fotos e objetos que gostariam de ver fazendo parte do projeto.
A comunidade ficou tão envolvida com a pesquisa que muitas pessoas param os professores na rua para perguntar como está o desenvolvimento do trabalho, quando os livros vão ficar prontos e como terão acesso ao material. O museu é uma grande expectativa e já tem inclusive uma maquete que foi apresentada durante a mostra que os estudantes fizeram da pesquisa para a comunidade.
Um dos pontos que a professora destaca como fundamentais dentro da construção da cidadania é que os próprios estudantes têm suas histórias reconstruídas porque a maioria é descendente de japoneses. ''O sentimento de pertença ao município aumentou muito entre eles, dá para perceber. A comunidade também percebe a importância de preservar a própria história.''
Lucélia explica que para reconstruir a história dos pioneiros foram realizadas 48 entrevistas, o trabalho escrito foi dividido em nove subitens: atividades culturais; histórico; alimentação; relações interétnicas; transportes; economia; causos; educação e religião. A professora explica que a maioria dos pioneiros que vieram para Assaí já haviam passado por outros estados, principalmente pelo interior de São Paulo, e já conheciam um pouco do Brasil. Muitos vieram trabalhar como empregados em fazendas e tinham como objetivo conseguir suas próprias terras.
Outro aspecto ressaltado por ela foi a quantidade de fotos e documentos que os pioneiros disponibilizaram para que os pesquisadores pudessem registrar. Cerca de 500 fotos foram digitalizadas mostrando o início da colonização e o dia-a-dia da cidade. Entre os documentos que foram digitalizados há raridades como passaportes, uma escritura de terras em japonês e o salvo-conduto que os japoneses tinham que ter durante a Segunda Guerra Mundial. ''Mesmo aqui no interior eles não podiam ficar em grupos conversando e tinham que portar esse salvo-conduto.'' Todo esse material está no prelo e as expectativa é que em breve os livros fiquem prontos, eles serão disponibilizados nos núcleos de ensino no Paraná e para as escolas. (C.P.)

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