Documento da tragédia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de junho de 2011
Nelson Sato <br> <br> Reportagem Local 
Quase dois meses após a tragédia no Realengo, no Rio de Janeiro, chega às prateleiras o primeiro livro sobre a invasão da escola Tasso da Silveira por um ex-aluno que culminou com a morte de 12 estudantes. O livro, intitulado ''O Massacre de Realengo'', foi escrito pelo advogado, jornalista e professor londrinense Heraldo Felipe de Faria.
Com prefácio de Rogerio Greco, a obra traz um relato detalhado do episódio ocorrido na manhã do dia 7 de abril, quando o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira entrou no colégio armado com dois revólveres - e um cinto de munição com recarregadores - e disparou contra os alunos protagonizando um massacre sem precedentes na história brasileira.
Ao longo de 248 páginas, o autor traz um histórico de episódios similares ocorridos no mundo - 22 ao todo, registrados entre 1989 e 2009 - e remonta ao ano de 1764 para lembrar o primeiro ataque realizado contra uma escola, quando 10 crianças brancas americanas foram assassinadas por índios enfurecidos. Resgata também o primeiro caso registrado no Brasil, na cidade de Taiúva, no interior de São Paulo, em 2003, quando também um ex-aluno invadiu uma escola e disparou contra os alunos.
''O caso não teve tanta repercussão na época porque não houve vítimas fatais, embora um aluno tenha ficado paraplégico'', assinala. Faria, que é docente da Faculdade Dom Bosco em Cornélio Procópio e da Facnopar em Apucarana, conta que começou a esboçar o livro já no calor do acontecimento. ''Acompanhei o noticiário pela internet desde as primeiras informações. Uma hora depois, rascunhei as primeiras linhas e passei o resto do dia pesquisando e escrevendo. Um mês depois, terminei o livro'', revela.
Além de colher dados e relatos da imprensa, ele fez duas viagens ao Rio de Janeiro para visitar o local do crime e entrevistar testemunhas, parentes de vítimas e outros personagens. ''Na primeira vez, fiquei bastante emocionado ao visitar a escola'', diz. ''Tentei entrevistar algumas pessoas, mas todos estavam muito desconfiados e ainda sob o impacto da tragédia. Mesmo assim, consegui conversar com mães de duas vítimas, além de falar com coveiros do cemitério onde o Wellington foi enterrado''.
A obra traz uma parte das peças do inquérito policial incluindo uma carta, alguns manuscritos e mensagens digitadas apreendidas no computador do assassino. ''Ele faz interpretações confusas da Bíblia e menciona o ataque às Torres Gêmeas no 11 de setembro como uma ação correta. Mas suas supostas ligações com o Islamismo não foram confirmadas pelas investigações. Na verdade, seus escritos são desconexos e não revelam ordenamento de ideias. Parecem mesmo fruto de uma mente perturbada'', salienta.
Faria endossa a tese de que o gesto tresloucado foi uma consequência do bullying sofrido pelo assassino durante os anos em que estudou na escola: ''Há relatos de que ele era rejeitado pelas meninas, o que explica o fato de ter atirado preferencialmente nas alunas. Houve ainda uma ocasião em que ele teria sido jogado numa lata de lixo pelos colegas. O massacre foi, de fato, uma vingança em relação à intimidação que sofreu. Foi sua justificativa, isso ele deixou bem claro''.
De acordo com o autor, Wellington já revelava conflitos psicológicos muito antes de cometer a insanidade. ''Era um rapaz doente, que necessitava de amparo e atendimento preventivo do Estado'', conclui. Definindo sua obra como um ''livro-reportagem'', Faria salienta que procurou fazer ''um relato fiel aos acontecimentos, um registro histórico para consulta futura e para que não caia no esquecimento''.
De acordo com ele, a linguagem adotada na redação do volume foge do juridiquês. ''A linguagem é simples, acessível a qualquer leitor'', diz. O livro tem lançamento agendado para os dias 7 e 14 de junho na Facnopar, em Apucarana.
Serviço
Lançamento do livro ''O Massacre de Realengo'' de Heraldo Felipe de Faria
Preço - R$ 30,00.
Pontos de venda - Livrarias Bom Livro de Londrina e Maringá
Encomendas - [email protected]


