Documentário sobre as intervenções de Godard na TV é atração no MIS
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quarta-feira, 20 de outubro de 1999
Por Luiz Zanin Oricchio 
São Paulo, 21 (AE) - A cópia é em vídeo, em francês e sem legendas. Nada disso serve como atenuante para quem perder "Godard na TV: 1960-2000" (amanhã (220, no MIS, às 20h15), de Michel Royer. Em meros 53 minutos, são mostrados alguns dos melhores e mais espetaculares momentos de Godard diante das câmeras. Não se trata de um encontro qualquer. Para Godard, a TV
como é feita, é sinônimo de fascismo. Portanto, a relação é conflituosa. Há um programa, por exemplo, que ele abandona pela metade, por não gostar do tom das perguntas.
Mas, em geral, é com humor que enfrenta a situação, desconcertando seus interlocutores, devolvendo as perguntas, irritando os jornalistas. Um deles perde a paciência com o cineasta, que era entrevistado sobre a Guerra das Malvinas. Godard diz que não viu nada da guerra, porque a TV não a mostra. A TV, aliás, não mostra nada. Não sabe usar a imagem.
Godard passou pelos mais famosos programas de entrevistas da França, de "Le Droit de Réponse" a "Apostrophes". Deixou atrás de si um rastro de demolição. Foi um contestador e exerceu o papel, com grande senso teatral, da juventude à maturidade. Só é pego no contrapé quando confrontado com sua ex, a atriz Anna Karina. Ela se emociona e ele mesmo, o velho revolucionário, treme na base.


