Documentário mostra o lado criativo do criador do trio3/Mar, 15:13 Por Ricardo de Souza São Paulo, 03 (AE) - O nome de Osmar Macedo tornou-se célebre pela criação, com o amigo Dodô, do pau-elétrico, espécie de pai da guitarra baiana. Mas o que pouca gente fora da Bahia sabe é que essa foi apenas uma de suas muitas invenções - que chegam a 300, segundo seu filho Aroldo. É essa criatividade, aliada ao lado humano de Osmar, o foco do documentário "Osmar, Nosso Grande Noé", dirigido por Marco Oliveira, que deve ficar pronto este ano e será transmitido pela GNT. O filme, que vem sendo rodado há dois anos, mostra o último depoimento de Osmar meses antes de morrer. "Registramos os carnavais de 98 e 99 e vamos fechar com o deste ano, na comemoração dos 50 anos do trio elétrico", conta Oliveira. "O objetivo é mostrar coisas que pouca gente sabe, como o fato de ele não ser formado, tendo feito apenas cursos técnicos". Para o diretor, Osmar foi a prova viva de que competência independe de formação acadêmica. Entre outros trabalhos, ele participou da construção da Ponte do Funil, do Teatro Castro Alves e do emissário submarino de Salvador. Até no exterior sua inventividade era requisitada. "Ele foi chamado para trabalhar na construção do metrô de Miami", revela seu filho Aroldo. "Osmar, Nosso Grande Noé" trará depoimentos de expoentes da música brasileira, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Moraes Moreira. Oliveira também entrevistou o vendedor que atendeu Osmar na loja onde ele comprou (e quebrou) a guitarra que se transformou no primeiro pau-elétrico. Há ainda imagens de Dodô e Osmar tocando na Piazza Navona, em Roma, em 1983; na Copa do México, em 1986; e em Toulouse, na França, em 1989. As cenas de Roma foram cedidas pelo diretor Paulo Cézar Saraceni, do filme "Bahia de Todos os Sambas". Reconstituição - No filme, que será dividido em dois episódios de 45 minutos, haverá uma reconstituição do dia em que o trio elétrico saiu pela primeira vez. "Não há imagens desse dia, já que tudo ocorreu de maneira muito espontânea", explica Oliveira. "A elite baiana tomou um susto quando Dodô e Osmar entraram no meio do corso com um multidão atrás". O corso era uma carreata formada por famílias ricas de Salvador. Desfilando pelas ruas, exibiam fantasias caras e lançavam confete, serpentina e lança-perfume entre si. As classes mais baixas eram totalmente excluídas do desfile, que quase não era acompanhado por música. O povão ficava relegado a assistir à elite passar. Isso até a chegada do trio-elétrico dos dois amigos. Segundo o diretor, a idéia do documentário é resgatar uma página importante da história da Bahia e do Brasil. "Há fatos que permanecem desconhecidos do grande público; a guitarra por exemplo, foi criada simultaneamente aqui e nos Estados Unidos", afirma Oliveira, que é diretor de videoclipes. Entre os nomes com os quais já trabalhou estão o da musa baiana Ivete Sangalo e o grupo Só Pra Contrariar. "Osmar, Nosso Grande Noé" - que está sendo filmado em película - será levado posteriormente para o cinema numa versão de 1h20 de duração. Para concluir o filme, porém, Marco Oliveira está em busca de patrocínio.