Documentário mostra a saga de Simonal
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sexta-feira, 05 de março de 2010
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O Brasil dos anos 70 polarizou o universo artístico entre engajados e reacionários. Quem não se posicionasse frente à ditadura militar, era taxado de alienado. O cantor Wilson Simonal (1938-2000) parecia fazer parte da turma que se lixava para a política, mas um episódio traumático de sua trajetória acabou vinculando-o ideologicamente à extrema direita, condenação que lhe impôs um prolongado ostracismo.
O documentário ''Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei'' reconstitui sua vida e obra mesclando imagens de arquivo de shows e entrevistas com depoimentos de pessoas que conviveram com o artista. O filme rodado pelo trio Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal será mostrado hoje, às 21 horas, pelo Canal Brasil em sua primeira exibição na televisão.
O retrato de Simonal-artista deslumbra trazendo à tona seu carisma e sua excepcional performance no palco, capaz de comandar um coro de 30 mil vozes no ginásio do Maracanãzinho e ainda fazer um dueto memorável com a dama do jazz Sarah Vaughn.
Na virada dos anos 60 para os 70, seu sucesso popular rivalizava com o de Roberto Carlos. No ápice da carreira, viu tudo desmoronar, quando demitiu seu contador Raphael Viviani acusando-o de desviar dinheiro. Simonal foi processado pelo ex-funcionário e, como revide, chamou amigos policiais para lhe darem uma surra. Os espancadores, no entanto, pertenciam ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), o órgão de repressão política, notório por torturar presos políticos durante os anos de chumbo.
O episódio virou notícia nos jornais. Logo, prevaleceria a versão de que o músico era dedo-duro de colegas. Começava aí a declínio do artista, que teria sua reputação jogada no lixo.
Foram mais de 30 anos de exílio no Brasil. Não fazia shows, não cantava em auditórios, suas músicas não tocavam nas rádios.
Em 2000, Simonal voltou à mídia. Morto, pobre e esquecido. O documentário promove um controvertido revisionismo histórico, que continua gerando controvérsias desde suas primeiras exibições em festivais.


