Quais os vínculos entre a música e o sagrado na Bahia? Essa é a pergunta que o percussionista Naná Vasconcelos busca responder no filme ''O Diário de Naná'', no qual ele é levado a um mergulho na música do Recôncavo Baiano e, simultaneamente, na religiosidade local.
Quem conduz a viagem é o diretor Paschoal Samora, que, após pesquisar a cultura regional, traçou um roteiro para levar Naná a encontros com personagens que guardam a memória musical da Bahia e que estão ligados ao candomblé.
O resultado da peregrinação, feita em três semanas em 2005, é um documentário de 60 minutos que disputa o Lobo de Prata, categoria do Festival de Amsterdã dedicada aos médias-metragens. Após a Holanda, o filme seguirá para Havana, onde será exibido no festival internacional de cinema latino.
''Tinha vontade de fazer um filme que tivesse o recorte de um diário de viagem, e assim criamos um mapa de navegação para Naná pela Bahia'', explica Samora, que já trabalhara com o músico na trilha sonora de seu filme ''Confidências do Rio das Mortes'', em 1999.
As conversas de Naná com sambistas, ritmistas e mães de santo evidenciam a raiz comum africana da música e da religião - o melhor exemplo de tal fusão é a mãe Gaiacu Luiza, que entoa os cantos africanos que formaram a base dos rituais do candomblé. Outro ponto forte do filme é o encontro com Edith do Prato, que faz música usando apenas o utensílio de cozinha e uma faca.
''Diário de Naná'' foi premiado no Festival É Tudo Verdade deste ano em São Paulo e também exibido no último Festival do Rio. Após o circuito de mostras, Paschoal Samora espera que o média-metragem entre em cartaz no país em 2007.

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