Às 7 horas da manhã, Luigi Baricelli já está de pé e com toda a disposição para a entrevista. Nem parece sentir que, na véspera, gravou até a madrugada... De fato, o intérprete do mulherengo Alexandre, de ''Sabor da Paixão'', aparenta estar na melhor fase da carreira. O sorriso franco é marca registrada. Mas ele não se importa de emprestá-lo ao protagonista da novela das seis. Na verdade, o ator vem tentando acrescentar também outros ''ingredientes'' ao galã da trama romântico-culinária de Ana Maria Moretzsohn. ''Ele tem de ter uma pimentinha. Não pode ser apenas doce, açucarado... Senão enjoa'', ensina, com ares de ''chef''.
O ator adianta que seu segundo protagonista não será maniqueísta. Com uma personalidade dúbia, chegará a se tornar um anti-herói. ''Alexandre é um cara de luz. Mas vai trair a confiança do público. Isso é mais difícil do que fazer um mocinho ou vilão'', valoriza Luigi - que, para interpretá-lo, trocou as aulas de esgrima e montaria, dos tempos de ''A Padroeira'', pelos passos de dança-de-salão. ''Não tinha a menor noção de dança. Mas até o fim da novela vou dar show'', promete.
Você protagoniza sua segunda novela num intervalo de seis meses. Pensava em voltar tão cedo?
Já estava louco para voltar. Mas, sinceramente, não esperava ser chamado agora. Quando soube desse personagem, achei bacana e fiquei com aquela vontade de fazer. Mas, como não me chamaram, deixei de lado. Não ia insistir num personagem que não era para mim...
E o que o Alexandre tem para ser do Luigi?
Acho que temos alguns pontos em comum e, graças a Deus, outros muito diferentes. Nós dois somos entusiastas da vida. Mas não sou mulherengo como ele. A minha mulher, Andréa, já me fez sossegar! O Alexandre é sério, digno. É um cara de luz. Mas tem um lado ''playboy'', ''galinha'' mesmo. Num dado momento da história, sei que ele vai se tornar um anti-herói. Serei meio traidor do público... Estas nuances são mais complicadas do que simplesmente fazer um mocinho ou vilão.
E você tem uma forte imagem de ''bom moço'' pelo fato de ser caseiro, casado, com filhos... e também graças aos seus últimos personagens. É mais difícil convencer o público como ''bon vivant''?
R - Espero que não! Existe uma desconexão no momento da criação do personagem. Se o Luigi, ator, está em cena, o Alexandre tem de estar presente também, seja ele como for. Assim, as pessoas vão acreditar, embarcar na história. Afinal, é para isso que eu recebo um salário da Globo. Para fazer as pessoas acreditarem...
É este o momento em que você se sente mais realizado como ator?
É um dos momentos. Procuro viver muito o instante presente. Não projeto minha felicidade em cima de conquistas futuras. O grande barato é pensar que tudo faz parte de uma evolução... Antes de tudo, é preciso ser feliz. Esta é a condição essencial para que as outras coisas aconteçam. Não acho que a gente tenha de realizar primeiro para ser feliz depois. Na verdade, precisamos de muito pouco para sentir felicidade. O que eu quero, na minha carreira, é me tornar um veículo de expressão da alma do mundo. Servir plenamente ao propósito de um texto. Expressar todas emoções humanas. Parece pretensioso, mas tento viver isso a cada dia. No meu trabalho e na minha vida pessoal.

mockup