Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasLetícia Spiller: maturidade profissionalToda vez que põe seu pezinho número 38 para fora de casa - acompanhado, obviamente, de todas as suas generosas curvas -, Letícia Spiller já sabe o que a espera. ‘‘Olha a Babalu ali, gente’’ é o que mais ouve, onde quer que vá. Mas ela não liga. ‘‘É sinal que a personagem agradou’’, diz, modesta. A verdade é que, ao emprestar seu 1,70m de altura e seus 57,5 quilos à ingenuamente sedutora Babalu, de ‘‘Quatro por Quatro’’, ela mexeu com a libido nacional. Agora, depois de uma participação especial em ‘‘O Rei do Gado’’, como a romântica Giovana, ganha requinte francês para interpretar a sofisticada Beatriz, de ‘‘Zazᒒ.
A começar pelo visual de cabelos curtos, tudo em Letícia parece diferente. O olhar está mais maduro e a postura mais contida. ‘‘Passei a ver o mundo de uma outra forma. Tudo me emociona mais’’, sintetiza a atriz, referindo-se ao papel que desempenha há alguns meses: o de mãe. Aos 23 anos de idade, ela se vê às voltas com fraldas, papinhas e mamadas de hora em hora.
No começo, Letícia chegou a levar o pequeno Pedro para as gravações. ‘‘Fiquei muito simbiótica com o beb꒒, arrisca, com ares de mãe exemplar. Mas logo revela uma certa dose de posse sobre a cria. A princípio, não deixava ninguém pegar na criança. Fazia o estilo supermãe: dava banho, botava o bebê para dormir, amamentava... Mas agora sente-se mais tranquila. ‘‘Já deixo o Pedro para os avós babarem um pouquinho’’, brinca.
Linda, simpática e tranquila. Três adjetivos que fazem de Letícia um pólo aglutinador. Se não é um companheiro de trabalho ou a imprensa que está sempre por perto, os fãs-mirins a cercam por onde quer que vá, desde que era paquita. ‘‘Adoro criança. Se não fosse atriz, seria pedagoga’’, imagina.
Forma perfeitaQuando começou a trabalhar com Xuxa, Letícia encontrou a forma perfeita de juntar o útil ao agradável. Adorava crianças e precisava ganhar dinheiro. Mas não queria ser vendedora de butique. Logo, o emprego de paquita caiu como uma luva. ‘‘Foi perfeito’’, afirma.
A verdade é que Letícia aprendeu, e muito, sob as rédeas curtas da empresária Marlene Mattos. Quando chegou nos sets de gravação de ‘‘Quatro por Quatro’’, surpreendeu quem a olhou atravessado pelo currículo e esbanjou profissionalismo. Além disso, ainda conquistou o público como a espalhafatosa Babalu, que rebolava em cima de seus tamancos barulhentos metida num minúsculo shortinho.
‘‘Acho que a Babalu parecia com personagens do Almodóvar’’, compara Letícia, nesta altura elevando os decibéis da voz e alargando os gestos com as mãos. Mas a inspiração para compor a personagem, por incrível que pareça, veio mesmo da Mônica, aquela personagem dentucinha do desenhista Maurício de Souza, que vive acertando o Cebolinha com seu coelhinho. Daí aquela indefectível bolsinha que Babalu não largava. ‘‘Queria mesmo é que quando a Babalu usasse aquela bolsa, derrubasse paredes’’, visualiza. Mas ela era uma estreante e ficava difícil exigir qualquer coisa.
Hoje, aos 23 anos de idade, o status de Letícia Spiller na Globo é outro. Sabe que não ficará estigmatizada como a moça bonita e gostosa. E não liga para o fato de reeditar o par romântico com Marcelo Novaes. ‘‘Agora, casados, vamos ver como as coisas funcionam’’, pondera.
Na trama, Letícia, na pele de Beatriz, conhece o piloto Hugo Guerreiro em Paris. Eles têm um affair, ela fica grávida e chega ao Brasil atrás de seu grande amor. Para isso, terá de disputar o amado com Fabiana, personagem de Júlia Lemmertz. Qualquer semelhança com Babalu e Raí não é mera coincidência.

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