Doce demais enjoa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de fevereiro de 2003
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Ofélia é uma doce cozinheira, mas não se pode dizer que sua cozinha é doce. Xará da professora de culinária que durante anos fez sucesso na televisão, a Ofélia londrinense sabe tudo de forno e fogão, mas se os pratos salgados são considerados bons, os doces são divinos graças a um truque que ela não esconde: sempre corta a medida do açúcar quase pela metade. Se a massa do pão-de-ló pede seis colheres do ingrediente, Ofélia coloca quatro, se a porção de canjica pede 100 gramas, ela se restringe a 70. Assim, o paladar pode identificar outros sabores, o gosto característico das nozes, a delicadeza das frutas.
Excesso de açúcar em sobremesas e sucos estraga a sutileza das combinações, fica tudo melado, cortando a língua de tanta acidez. Doçura em excesso enjoa até nas relações humanas. É como gente boazinha demais, certinha demais, que só sabe agradar se derretendo. De vez em quando, um olhar fulminante serve para espantar o tédio. Vai ver por isso, romance água-com-açúcar é coisa de folhetim.
Mas voltando à cozinha, o truque de Ofélia, de não deixar o doce tão doce, pode beneficiar quem faz regime, prevenir diabetes e servir àqueles que, simplesmente, querem sentir outros sabores sem sucumbir à tentação de tornar tudo apenas palatável. As crianças são experts neste assunto. Como não somos formigas, que tal passar longe do açucareiro?
Pão-de-Ló da Ofélia
6 gemas
2 ovos inteiros
70 gramas de açúcar (a receita original pede 100)
50 gramas de farinha peneirada
Modo de fazer
Bater os ovos inteiros com o açúcar até o creme ficar esbranquiçado. Juntar as gemas uma a uma e bater durante 20 minutos com batedor manual ou por 10 minutos em batedeira. Misturar a farinha de trigo com uma colher de pau. Deitar a massa em forma redonda com furo no meio. Assar em forno bem quente (220º). Deve ser servido no dia seguinte.


