Doce de Mãe mostra fôlego como série
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Anna Bittencourt<br>TV Press 
Em meio a uma safra de vilões de todos os tipos permeando as faixas de novelas e séries, a Globo estreou, no último dia 30, o sutil "Doce de Mãe". Sem o maniqueísmo típico das tramas, a série soa como música para os ouvidos.
Projetado para ser apenas um especial de fim de ano, a produção ganhou notoriedade após o Emmy de Melhor Atriz recebido por Fernanda Montenegro devido à interpretação de Picucha, protagonista da série. A boa repercussão, tanto no Brasil quanto fora dele, acendeu o alerta na emissora, que encomendou uma série de 14 episódios para Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, idealizadores do projeto.
Misturando cenas de comédia com momentos tristes, os autores criaram uma identidade familiar para "Doce de Mãe". Os dramas familiares aproximam o telespectador da história, estabelecendo uma afinidade com os personagens.
Os personagens, inclusive, são um "bônus" a mais para a produção. Se não bastasse ser encabeçada por Fernanda Montenegro, que interpreta perfeitamente uma senhorinha com jeito quase adolescente, os outros atores envolvidos em "Doce de Mãe" são do primeiro time da Globo. Marco Ricca, Mateus Nachtergaele, Mariana Lima e Louise Cardoso interpretam Sílvio, Fernando, Suzana e Elaine, filhos de Picucha. Diferentemente dos demais, Drica Moraes não participou do elenco do telefilme e entrou apenas para a série. Mais um acerto na conta da produção. As cenas de Rosalinda com Picucha têm a dose certa de humor e tensão.
Do telefilme exibido em 2012 até a estreia da série, este ano, pouca coisa mudou. A concepção de "Doce de Mãe" continuou igual. A coprodução da Globo com a Casa de Cinema de Porto Alegre mistura cenas gravadas no sul do País com outras feitas no Projac centro de produções teledramatúrgicas da Globo. O resultado é um cenário que foge do óbvio eixo Rio-São Paulo.
A direção de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo sublinha o desejo de mostrar Porto Alegre como moradia de Picucha. Além de apresentar os cartões postais da capital gaúcha, o figurino dos personagens também evidencia o estilo da cidade.
A trilha sonora é mais uma boa escolha em "Doce de Mãe". Além dos sambas ouvidos por Picucha em seu nada discreto headphone, a música de abertura apresenta o tom certo da série. "Mamãe", de Toquinho, em uma versão "hardcore", assim como Picucha, funciona como um anúncio do que está por vir. Com muitos acertos em uma produção quase impecável, a série tem tudo para ganhar uma segunda temporada.


