Doando arte
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sábado, 02 de maio de 2015
Marcos Roman<br> Reportagem Local 
O sonho da grande maioria dos atores das novas gerações é se tornar protagonista de uma novela global ou estrelar um filme em Hollywood. Muitas vezes a frustração por não atingir esses objetivos acaba levando promissores talentos a desistir da carreira artística. Mas para cinco jovens que tentavam um lugar ao sol no hall da fama, as negativas acabaram se tornando uma mola propulsora para uma nova forma de encarar a arte.
Após inúmeros testes sem sucesso para produções televisivas, o londrinense Caio Rodrigues se juntou a quatro amigos na mesma situação para fundar o projeto "No Caminho do Bem" (Nocabe). Radicados no Rio de Janeiro, os jovens escreveram uma peça de teatro e, sem nenhum tipo de patrocínio, foram se aventurar em apresentações em cidades do eixo Norte-Nordeste do País.
"Quatro integrantes do Nocabe são formados em artes cênicas e um é músico. Estávamos cansados de fazer pontas em filmes e novelas e ficar sempre na expectativa de ser chamado para alguma produção. Então saímos do Rio de Janeiro de carro em direção a Belém do Pará, cidade do músico André Schiavone, compositor e vocalista que também integra o Nocabe. Tínhamos apenas R$ 1,5 mil no bolso e muita vontade de levar o teatro para pessoas que não tinham contato com esse tipo de expressão artística", conta Caio Rodrigues.
Ciente das dificuldades que encontrariam no caminho incerto, os jovens tiveram que contar com a improvisação antes mesmo de chegar ao destino final. "No meio da viagem já estávamos quase sem dinheiro. Então resolvemos promover shows do André em bares para conseguirmos pagar as despesas com nossa alimentação", relata o londrinense.
Chegando no Pará, os integrantes do Nocabe tiveram a primeira boa surpresa da jornada artística que estavam iniciando. "Fomos para a Ilha do Marajó e nos apresentamos para uma comunidade que nunca havia assistido uma peça de teatro. Nossa proposta é pedir ajuda de prefeituras e do empresariado local para nos ajudar a pagar despesas de hospedagem e alimentação. Na Ilha, nos deparamos com a enorme generosidade dos moradores locais que nos abrigaram em suas casas e doaram o que podiam. Outros acabavam fazendo outras ações em prol de pessoas necessitadas, formando uma enorme corrente do bem", afirma Rodrigues.
A primeira turnê do grupo rodou por mais de 14 cidades nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. "Inauguramos anfiteatros e realizamos apresentações filantrópicas em prol de casas de apoio a portadores de câncer e de clínicas de reabilitação aos usuários de crack. Teve dias da gente dormir na rua, como aconteceu em Barreirinhas, nos Lençóis Maranhenses. Mas acabamos ganhando fama nos lugares onde passamos. Cada dia era uma aventura inusitada. Mas o feedback que recebíamos do público nos motivava a seguir viagem. No fim de cada apresentação passávamos o chapéu para arrecadar pelo menos o dinheiro de nosso jantar", enfatiza o ator.
Intitulada "Até Quando Viver neste Mundico!?!", a peça de estreia do Nocabe narra a história de um matuto do interior que sonha conhecer o mar. "É uma peça que fala de esperança de um modo simples e bonito que tem comovido plateias bastante distintas.", diz Caio. A receptividade do público e as diferenças culturais encontradas no roteiro da primeira turnê do grupo motivou os atores a filmar um documentário durante a viagem. "Perguntávamos às pessoas qual era o seu sonho e qual o seu conceito de felicidade. Encontramos histórias emocionantes que mostram contextos diversos, como a de um médico que sonha em ter um barco e um mendigo cujo sonho é ter uma geladeira. Essas filmagens darão origem a um web documentário que será exibido na internet", revela.
De volta ao Rio de Janeiro após três meses de viagem, o Nocabe tem realizado apresentações em favelas da cidade enquanto se prepara para iniciar uma nova turnê. "Desta vez vamos percorrer diversas cidades de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Montevidéu, incluindo Londrina, onde pretendemos nos apresentar ainda no mês de maio", destaca Rodrigues.
O ator londrinense conta que a experiência serviu para reafirmar a filosofia de vida que resolveu seguir. "Não me permito ter sonhos, nem tenho a expectativa de ser feliz o tempo todo. Esse é apenas um estado de espírito e a gente deve procurar estar feliz e viver o momento presente, pois o passado não existe e o futuro é incerto", conclui o londrinense.


