Doações também ajudam a manter a fantasia
Na contramão do apelo consumista da Páscoa está o afeto. Essa é a idéia da Irmã Francisca Creuza Camargo, que há 11 anos administra o Centro de Educação Infantil Santo Antônio, no Jardim Guanabara (região sul de Londrina). A instituição atende 194 crianças de 0 a 6 anos que, por falta de condições financeiras dos pais, nem sempre ganham ovos de Páscoa, e a creche conta com eventuais doações para proporcionar isso às crianças. ''A gente não tem condições de se preocupar com ovos de chocolate. A preocupação maior é com a alimentação essencial das crianças, que são tranquilas e entendem a nossa limitação'', disse Irmã Francisca.
Na opinião dela, a manutenção da fantasia infantil é importante e é feita através de trabalhos pedagógicos que incluem a leitura de livros de contos de fadas. ''No caso da Páscoa, trabalhamos com as crianças o sentido da ressurreição, da renovação da vida, o desejo de perceber na própria rotina o brilho do sol, a beleza da natureza'', destacou.
Segundo a religiosa, que além de educadora também é psicóloga, muitas vezes as crianças pedem não porque querem, mas para suprir um vazio, testar os pais. ''A cobrança de dar coisas é maior nos adultos, principalmente em datas como essas. O dar ameniza a angústia, a sensação de frustração, mas o fundamental é o vínculo afetivo.''
No Dia das Crianças, quando não aparecem doações esporádicas, a creche prepara um almoço especial para celebrar a data com as crianças. No Natal, a instituição indica ''madrinhas'' da comunidade para presentear as crianças com um brinquedo, roupas ou um par de sapatos.





