Tamanho é documento, garante o slogan da campanha de lançamento de Godzilla, que estréia hoje nos cinemas brasileiros. E é mesmo. Dirigido por Roland Emmerich e produzido por Dean Devlin, sobre um roteiro dos dois - que foram responsáveis por ‘‘Independence Day’’ - ‘‘Godzilla’’ é mais do que apenas uma versão americana do lagarto gigantes criado há 44 anos e astro de 22 filmes do estúdio japonês Toho.
‘‘Godzilla’’ é um negócio baseado num marketing arrojado, que conseguiu esconder o monstrengo do público até o último minuto. A Sony desembolsou US$ 125 milhões na produção do filme e mais US$ 50 milhões na campanha de lançamento nos Estados Unidos, onde estreou no final de maio em 7.363 salas, um recorde absoluto. No Brasil, o monstrengo chega em 300 cópias, contra as 287 de ‘‘Titanic’’, e uma campanha de marketing orçada em R$ 2 milhões.
É verdade que na primeira semana de exibição norte-americana a bilheteria ficou abaixo do esperado. Foram apenas US$ 74 milhões. Outros filmes lançados em anos anteriores nesta mesma época foram melhor. ‘‘Missão Impossível’’, de 96, arrecadou US$ 74,9 milhões. ‘‘O Mundo Perdido’’, de 97, fez US$ 92,7 milhões. Mas, com os mais de 300 contratos de licenciamentos de produtos com a marca Godzilla, que incluem balas, sorvetes, brinquedos, botas para alpinistas e até pilhas - metade deles fora dos Estados Unidos - a Sony já faturou mais de US$ 150 milhões.
O primeiro filme da Toho com o monstrengo foi ‘‘Gorija’’, de 1954 (o título mistura gorira, ou gorila em japonês, com kujira, que quer dizer baleia). Rebatizado de ‘‘Godzilla, King of the Monsters’’, foi lançado em 56 nos Estados Unidos com algumas cenas a mais, com Raymond Burr fazendo um repórter. Nos filmes japoneses, Godzilla destruía Tóquio e lutava contra monstros como o gorilão King Kong, a mariposa Mothra e até a barata gigante Megalon.

Já o Godzilla de Emmerich e Devlin passeia por Nova York esmagando pessoas e destruindo prédios com seu rabo. Ao contrário do emborrachado desengonçado da Toho, a versão americana é um lagartão com o tamanho de um prédio de 20 andares que se movimenta pela Madison Avenue, pela região de Wall Street ou da Brooklyn Bridge com a desenvoltura de um felino.
A Sony havia proposto a Emmerick e Devlin que fizessem ‘‘Godzilla’’ em 95, antes de ‘‘Independence Day’’. Mas os dois temiam não conseguir reproduzir o lagarto gigante com perfeição. O diretor Jan De Bon, de ‘‘Twister’’, aceitou a empreitada. Quando o orçamento chegou a US$ 150 milhões, a Sony adiou o projeto. ‘‘Independence Day’’ estourou, faturando mais de US$ 800 milhões e Emmerich e Devlin voltaram para ‘‘Godzilla’’, transformando o monstro num animal gigantesco. O designer francês Patrick Tatopoulos, que fez os alienígenas de ‘‘Independence Day’’, criou um Godzilla cinza, que é um mix de dragão de komodo com tiranossauro.
O roteiro de Godzilla mantém quase os mesmos elementos de ‘‘Gorija’’, que explicava a origem do monstro a partir de explosões nucleares em Hiroshima e Nagasaki. Isso é mostrado logo no início do filme, com imagens em tom sépia de explosões nucleares e de dragões de komodo. Só que a culpa das bombas nucleares é jogada agora nas costas da França, que testou bombas em possessões na Polinésia.
No filme de Emmerick, Godzilla destrói barcos de pesca do Pacífico e deixa pegadas descomunais por onde passa. Matthew Broderick faz o cientista Nick Tatopoulos, que ganhou o sobrenome do designer do monstro. Nick sai no encalço do lagartão auxiliado pelo agente secreto francês Philippe Roaché, vivido por Jean Reno; um cameraman, feito por Hank Azaria, e uma ex-namorada, papel de Maria Pitillo. Nick desconfia que Godzilla não foi a Nova York a passeio. Na verdade, o monstro hermafrodita quer usar a ilha de Manhattan como ninho para chocar babyzillas - criaturas bastante parecidas com os velociraptores de ‘‘Jurassic Park - Parque dos Dinossauros’’.
‘‘Godzilla’’ é uma caçada incessante que, obviamente, tem o final em aberto para uma continuação. Não se sabe ao certo quantos babyzillas nasceram ou se Godzilla foi a única aberração gerada pelos testes nucleares. O contrato da Sony com a Toho prevê mais dois filmes. Mathew Broderick vai participar, mas como coadjuvante. O show é mesmo do lagartão.DivulgaçãoCenas de ‘‘Gozilla’’: filme chega ao Brasil em 300 cópias, mais até mesmo que ‘‘Titanic’’‘‘Godzilla’’
entra em cartaz
nos cinemas
brasileiros,
com suporte
de marketing
de R$ 2 milhões

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