Do Paraná para Alagoas
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Telma Elorza 
O presidente da Fundação Cultural da Cidade de Maceió (AL), Eduardo Bonfim, esteve em Londrina, esta semana, participando de uma série de reuniões com a Secretária Municipal de Cultura, Ângela Marçal, e com o reitor e vice-reitora da Universidade Estadual de Londrina, Jackson Proença Testa e Nitis Jacon. Bonfim veio buscar subsídios para projetos culturais a serem desenvolvidos na capital alagoana.
A visita à cidade encerrou um roteiro de 10 dias de viagem que incluiu São Paulo e Curitiba, onde também conheceu projetos culturais. Em São Paulo, fizemos contatos com a Secretaria Estadual de Cultura, Fundação Padre Anchieta/TV Cultura e Museu de Imagem e do Som, para estudarmos possibilidades de convênios - contou. Na capital paranaense, Bonfim conheceu os projetos Farol do Saber, Rua da Cidadania e Lei Municipal de Incentivos Fiscais à Cultura. São projetos muito interessantes, vitoriosos mesmo, e é extremamente provável que possamos adaptá-los para a realidade alagoana - disse.
Dois pólos Em Londrina, Bonfim visitou a UEL, conheceu o Projeto de Serviços e Informações Utilitárias (Psiu), e manteve contato com os coordenadores dos Festivais de Teatro e Música. Segundo ele, a inclusão da cidade no roteiro se deve ao seu potencial como pólo gerador de cultura, o que pode servir de exemplo para muitas capitais brasileiras com as quais se assemelha pelo tamanho. Londrina vive uma situação privilegiada em termos culturais, embora não seja uma capital. Na verdade, posso afirmar que o Paraná tem dois grandes pólos culturais, Curitiba e Londrina. Um fator extremamente positivo porque dá diversidade, abre opções e possibilidades fora do eixo Rio-São Paulo - explicou.
Segundo Bonfim, outro fator que o fez incluir Londrina nesta pesquisa foi o grande intercâmbio que existe entre a Universidade e comunidade, através dos projetos de extensão. Em Alagoas e no resto do País isto não acontece. As universidades brasileiras ainda estão muito fechadas em seu próprio mundo, muito isoladas da realidade - afirmou. O presidente da Fundação Cultural disse que sua conversa com o reitor da UEL foi satisfatória. Nós nos propusemos a estudar formas de integrar a cultura nordestina com a do Paraná, o que se traz e o que se leva para o Nordeste. Embora não tenhamos nada acertado, o reitor se mostrou muito interessado em aprofundar o assunto - contou.
Subsídios para projetos Todos os projetos culturais e convênios discutidos nesta viagem vão servir de subsídio para projetos da Fundação. A Fundação Cultural de Maceió surgiu recentemente para substituir a Secretaria Municipal de Cultura. Com isto temos mais flexibilidade de captação de receitas de que um órgão vinculado ao poder público. E estamos buscando experiências bem-sucedidas para analisarmos como podemos aplicá-las na realidade de Alagoas, que tem um renda per capita bem menor que São Paulo e Paraná - afirmou.
A Rua da Cidadania, de Curitiba, foi citada por Eduardo Bonfim como um exemplo do que pode ser feito de forma quase imediata. A idéia de reunir em um único local vários serviços a disposição do público é extraordinária, inclusive com aquele projeto arquitetônico belíssimo. Só que, no nosso caso, teremos que realizá-la com um custo muito menor - explicou.


