Do jornal para as páginas do livro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de maio de 2002
Nelson SatoReportagem Local 
Um surto editorial está colocando os jornalistas londrinenses nas vitrines das livrarias. Agora é a vez de Estélio Feldman, que traz a público o volume de crônicas e entrevistas Resgate Jornalístico. O lançamento será hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública com coquetel, apresentação de João Milanez e show do cantor Osvaldo Renê.
Feldman, 64 anos de idade e 45 de profissão, conta que a idéia de publicar o livro surgiu da necessidade de resgatar textos do jornal para que tenham vida mais longa. O projeto foi gestado há dois anos, quando o autor comemorou quatro décadas de serviços prestados à Folha de Londrina. O livro já estava pronto, mas tive problemas familiares e não pude levá-lo adiante explica.
A coletânea reúne uma pequena parcela de sua produção, aquela que teria mais aproximação com a literatura. Uma crônica sobre o Natal abre o volume, seguida de outras que tematizam respectivamente a Páscoa, um plantão policial na Sexta-Feira Santa e o dia em que Tancredo Neves foi eleito Presidente da República pelo Congresso Nacional pondo fim ao ciclo ditatorial no país.
No segundo e terceiros blocos do livro, o autor apresenta uma série de entrevistas fictícias com personagens históricos e religiosos como Tiradentes, D. Pedro I, D. Pedro II, Princesa Isabel, Cristóvão Colombo, Nicodemus, o apóstolo Pedro e Jesus Cristo. Todos os textos, à exceção daquele dedicado a Tancredo Neves (publicado em janeiro de 1985), chegaram às páginas do jornal ao longo da década de 90.
Não sou um escritor. O livro traz textos de ficção tratados com o estilo do jornalismo explica ele. Feldman cita com orgulho as matérias, editoriais e reportagenss que publicou na Folha. Escrevi mais de 10 mil artigos de opinião salienta. Do currículo, ele destaca especialmente uma série de projetos especiais que assinou, entre os quais uma História Política do Paraná e dois trabalhos evocativos aos 100 anos da Abolição da Escravatura e da Proclamação da República.
Ele enche o peito ainda para falar de um tablóide de 16 páginas comemorativo aos 48 anos de Londrina. Meu próximo livro talvez parta daí anuncia. Pretendo resgatar grandes personalidades da história da cidade. Quero mostrar para os leitores de hoje, por exemplo, como foram as administrações dos ex-prefeitos Milton Menezes e Antonio Fernandes Sobrinho. Alguém sabe, hoje, que Menezes chegou a ser eleito um dos 5 melhores administradores do país?.
Outro livro em andamento é o romance Tempo de Guerra, para o qual revela já ter escrito 400 linhas. A narrativa seria uma continuação de Tempo Bom, novela publicada no início da década de 90 e que conta a história de duas crianças. Tempo Bom é, até o momento, seu único livro de ficção. O autor publicou ainda Constituinte e Municipalismo (com informações sobre a eleição da Assembléia Constituinte e o lançamento de teses municipalistas, o que lhe valeu o titulo de Benemérito do Municipalismo, outorgado pela Associação dos Municípios do Paraná), Plebiscito (a respeito da decisão colocada à população sobre a escolha do sistema de Governo, envolvendo presidencialismo, parlamentarismo e República) e Sercomtel 30 anos (história da empresa londrinense de telecomunicações).
Com Resgate Jornalístico, Feldman junta-se a outros profissionais da imprensa local que também decidiram reunir seus escritos sob lombadas nesta temporada. A coleção Crônicas de Londrina, projeto da Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Imprensa Oficial do Paraná, segue a todo vapor com uma agenda regular de lançamentos promovendo uma sessão de autógrafos por mês.
Jota Oliveira, Lélio César e Nelson Capucho foram os primeiros. Figuram ainda na série títulos de Apolo Theodoro, Edson Vicente, Paulo Briguet, João Arruda e Walmor Macarini. Feldman dividiu a Redação da Folha de Londrina com todos eles. Ingressou no jornal em 1960, depois de uma passagem pela Rádio Paiquerê. Ele elogia a iniciativa da Secretaria de Cultura ao bancar a publicação dos livros.
Diz que, sem estímulos semelhantes, dificilmente essa produção pularia dos arquivos dos jornais para os livros. Os intelectuais de minha época, ou até mais novos, têm pudores argumenta. Eles só publicam depois de muita insistência dos outros, ou se contarem com alguma ajuda. É loucura lançar-se sozinho. Eu sempre fiz isso, sempre corri os riscos. Não ganhei dinheiro com livros, mas também nunca perdi. Aqui, temos jornalistas de enorme competência. Temos muitos talentos. O que faltava era a valorização, e ela veio agora.
Serviço
Lançamento do livro Resgate Jornalístico, de autoria de Estélio Feldman. Hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública de Londrina. O livro estará à venda a R$ 15,00. Apoio Cultural: Panificadora e Confeitaria Central e Vinhos e Cia.


