Um surto editorial está colocando os jornalistas londrinenses nas vitrines das livrarias. Agora é a vez de Estélio Feldman, que traz a público o volume de crônicas e entrevistas ‘‘Resgate Jornalístico’’. O lançamento será hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública com coquetel, apresentação de João Milanez e show do cantor Osvaldo Renê.
Feldman, 64 anos de idade e 45 de profissão, conta que a idéia de publicar o livro surgiu da necessidade de resgatar textos do jornal ‘‘para que tenham vida mais longa’’. O projeto foi gestado há dois anos, quando o autor comemorou quatro décadas de serviços prestados à Folha de Londrina. ‘‘O livro já estava pronto, mas tive problemas familiares e não pude levá-lo adiante’’ – explica.
A coletânea reúne uma pequena parcela de sua produção, aquela que teria mais aproximação com a literatura. Uma crônica sobre o Natal abre o volume, seguida de outras que tematizam respectivamente a Páscoa, um plantão policial na Sexta-Feira Santa e o dia em que Tancredo Neves foi eleito Presidente da República pelo Congresso Nacional pondo fim ao ciclo ditatorial no país.
No segundo e terceiros blocos do livro, o autor apresenta uma série de entrevistas fictícias com personagens históricos e religiosos como Tiradentes, D. Pedro I, D. Pedro II, Princesa Isabel, Cristóvão Colombo, Nicodemus, o apóstolo Pedro e Jesus Cristo. Todos os textos, à exceção daquele dedicado a Tancredo Neves (publicado em janeiro de 1985), chegaram às páginas do jornal ao longo da década de 90.
‘‘Não sou um escritor. O livro traz textos de ficção tratados com o estilo do jornalismo’’ – explica ele. Feldman cita com orgulho as matérias, editoriais e reportagenss que publicou na Folha. ‘‘Escrevi mais de 10 mil artigos de opinião’’ – salienta. Do currículo, ele destaca especialmente uma série de projetos especiais que assinou, entre os quais uma História Política do Paraná e dois trabalhos evocativos aos 100 anos da Abolição da Escravatura e da Proclamação da República.
Ele enche o peito ainda para falar de um tablóide de 16 páginas comemorativo aos 48 anos de Londrina. ‘‘Meu próximo livro talvez parta da풒 – anuncia. ‘‘Pretendo resgatar grandes personalidades da história da cidade. Quero mostrar para os leitores de hoje, por exemplo, como foram as administrações dos ex-prefeitos Milton Menezes e Antonio Fernandes Sobrinho. Alguém sabe, hoje, que Menezes chegou a ser eleito um dos 5 melhores administradores do país?’’.
Outro livro em andamento é o romance ‘‘Tempo de Guerra’’, para o qual revela já ter escrito 400 linhas. A narrativa seria uma continuação de ‘‘Tempo Bom’’, novela publicada no início da década de 90 e que conta a história de duas crianças. ‘‘Tempo Bom’’ é, até o momento, seu único livro de ficção. O autor publicou ainda ‘‘Constituinte e Municipalismo’’ (com informações sobre a eleição da Assembléia Constituinte e o lançamento de teses municipalistas, o que lhe valeu o titulo de Benemérito do Municipalismo, outorgado pela Associação dos Municípios do Paraná), ‘‘Plebiscito’’ (a respeito da decisão colocada à população sobre a escolha do sistema de Governo, envolvendo presidencialismo, parlamentarismo e República) e ‘‘Sercomtel – 30 anos’’ (história da empresa londrinense de telecomunicações).
Com ‘‘Resgate Jornalístico’’, Feldman junta-se a outros profissionais da imprensa local que também decidiram reunir seus escritos sob lombadas nesta temporada. A coleção ‘‘Crônicas de Londrina’’, projeto da Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Imprensa Oficial do Paraná, segue a todo vapor com uma agenda regular de lançamentos promovendo uma sessão de autógrafos por mês.
Jota Oliveira, Lélio César e Nelson Capucho foram os primeiros. Figuram ainda na série títulos de Apolo Theodoro, Edson Vicente, Paulo Briguet, João Arruda e Walmor Macarini. Feldman dividiu a Redação da Folha de Londrina com todos eles. Ingressou no jornal em 1960, depois de uma passagem pela Rádio Paiquerê. Ele elogia a iniciativa da Secretaria de Cultura ao bancar a publicação dos livros.
Diz que, sem estímulos semelhantes, dificilmente essa produção pularia dos arquivos dos jornais para os livros. ‘‘Os intelectuais de minha época, ou até mais novos, têm pudores’’ – argumenta. ‘‘Eles só publicam depois de muita insistência dos outros, ou se contarem com alguma ajuda. É loucura lançar-se sozinho. Eu sempre fiz isso, sempre corri os riscos. Não ganhei dinheiro com livros, mas também nunca perdi. Aqui, temos jornalistas de enorme competência. Temos muitos talentos. O que faltava era a valorização, e ela veio agora’’.
Serviço
Lançamento do livro ‘‘Resgate Jornalístico’’, de autoria de Estélio Feldman. Hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública de Londrina. O livro estará à venda a R$ 15,00. Apoio Cultural: Panificadora e Confeitaria Central e Vinhos e Cia.

mockup