Se Musashi, de Eiji Yoshikawa, vendeu mais de 100 mil exemplares no Brasil, boa parte do mérito é de Leiko Gotoda, que resolveu traduzir o original japonês para que seus filhos pudessem conhecer a cultura e a história do Japão. Depois de traduzir outros grandes autores nipônicos, seu nome virou referência em traduções do japonês.
Que conhecimentos é preciso trazer para se traduzir uma obra literária? É imprescindível dominar o outro idioma?
É necessário obviamente que o tradutor conheça muito bem a língua fonte, mas é também imprescindível que ele tenha um conhecimento mais profundo ainda da língua portuguesa. Mais importante que o conhecimento de palavras é o conhecimento da cultura do país do autor, sem o qual erros crassos podem ser cometidos.
Em quais circunstâncias e até que ponto o tradutor tem o direito de interferir no texto original?
O tradutor não tem o direito de interferir no texto original. É obrigação do tradutor fazer o melhor possível para exprimir na língua alvo a idéia expressa pelo autor na língua fonte. Muito embora isto nem sempre seja possível na exatidão esperada, o tradutor deverá usar sua criatividade e conhecimento de ambas as línguas para chegar a uma solução mais próxima possível da ideal.
Você ainda não traduziu poemas. Por quê? Isso está em seus planos?
Acho que nunca traduzi poemas por falta de oportunidade. Por outro lado, poemas do tipo waka e haiku são muito difíceis de serem traduzidos. Vamos ver mais tarde se me arrisco a traduzir uma coletânea de poemas. Quem sabe?

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