Sintonizar o SBT é como voltar no tempo. Mais especificamente, para o início dos anos 1990, época em que boa parte dos programas da atual grade da emissora foram formatados. Extremamente fiel às suas idiossincrasias, Silvio Santos é o grande responsável por esse engessamento da programação. Tradicionalista tanto como executivo de tevê quanto como apresentador, Silvio é o exemplo do anacronismo de sua emissora. Isso fica evidente ao assistir ao dominical "Programa Silvio Santos". Como uma visão do passado, Silvio e seu inegável carisma – em boa forma e raciocínio invejáveis para seus 82 anos – são o destaque entre brincadeiras musicais, quadros da "Câmera Escondida" e o dinheiro jogado para a plateia em forma de aviãozinho.
Nos domingos do SBT, a sensação de "déjà vu" do público só não é maior porque Gugu Liberato resolveu trocar a emissora pela Record. Mas o "Domingo Legal", programa que fundou em 1993, ainda segue na grade, agora sob o comando de Celso Portiolli.
Como uma espécie de canal Viva da tevê aberta, durante a semana, o panorama não muda muito. Obedecendo aos cenários "kitsches" e de gosto extremamente duvidoso ao estilo do SBT, na faixa matinal, o "Bom Dia & Cia" – também criado em 1993 – segue como a única aposta infantil da emissora que nunca saiu do ar. Como parte de uma leve renovação, agora o programa é apresentado por três duplas. Entre elas, a que mais chama a atenção e confirma o poder de se repetir e revisitar do SBT é Bozo e Vovó Mafalda. À tarde, o telespectador mais saudosista pode reassistir a uma novela mexicana protagonizada por Thalía e ainda rir – se for possível – mais uma vez com as mesmas piadas de "Chaves", o eterno salvador de audiência do canal.
No horário nobre, além do rentável e bem-sucedido remake de "Carrossel" – de olho no público conquistado, o SBT já produz uma nova versão para "Chiquititas" –, o telespectador ainda pode conferir matérias sobrenaturais e as confusões familiares causadas por exames de DNA no "Programa do Ratinho". Se a dose de nostalgia ainda não for suficiente, nas noites de segunda, a emissora exibe "Astros", uma versão "moderninha" do clássico "Show de Calouros". E às quintas, Carlos Alberto de Nóbrega está na mesma praça e no mesmo banco de "A Praça é Nossa".
Se na televisão nada se cria, tudo se copia, ao menos é preciso surpreender. No momento onde atrair o público jovem e experimentar novos formatos está na ordem do dia de emissoras como Globo, Record e Band, o SBT segue na contramão.
Sem desrespeitar a espinha dorsal de suas grades, as outras emissoras conseguem flertar com o novo. Basta analisar o número de novas produções que foram testadas pelos canais ao longo dos últimos anos, como "The Voice Brasil", da Globo, "Mulheres Ricas", da Band, e "A Fazenda", da Record.
É certo que exibir o "novo" nem sempre é sinônimo de qualidade, mas falta ao SBT e à mente de Silvio Santos o investimento em produções que tirem o canal da habitual zona de conforto. Mudanças não estão previstas. Até porque foi batendo na mesma tecla – e também nos vacilos cometidos pela Record – que o SBT conseguiu se firmar na vice-liderança do Ibope novamente.

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