Do direito à literatura: advogado lança romance
João Gilberto Carrijo lança o livro "Pai do Destino", inspirado na cena de um casal de idosos caminhando de mãos dadas
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quinta-feira, 23 de outubro de 2025
João Gilberto Carrijo lança o livro "Pai do Destino", inspirado na cena de um casal de idosos caminhando de mãos dadas

Há cinco anos, João Gilberto Marin Carrijo tomou uma decisão que transformaria sua vida: trocou a carreira consolidada como advogado pela paixão de escrever romances — depois de também ter vivido o universo da tecnologia como analista de sistemas. Embora ainda divida seu tempo entre o Instituto Curitiba Saúde, sua família e a literatura, sonha em dedicar-se cada vez mais à escrita.
A veia literária surgiu durante a pandemia, quando o isolamento abriu espaço para que ele mergulhasse plenamente no ato de escrever. Dessa disciplina nasceu “Vingança e Perdão”, romance de 450 páginas concebido em apenas nove meses e lançado em 2021 pela Editora InVerso.
Com o retorno ao ritmo normal de trabalho, Carrijo passou a escrever nos intervalos possíveis — um desafio que deu forma ao seu segundo livro, “Pai do Destino”, publicado pela Editora Artêra. Inspirado pela cena de um casal de idosos caminhando de mãos dadas em Passa Quatro, no sul de Minas, o romance discute o acaso e o destino, retrata mazelas sociais, exalta a fé e celebra o otimismo.
“Descobri que tenho uma capacidade absurda de concentração. Alguns capítulos foram escritos em pausas no trabalho”, revela Carrijo, que lista como suas grandes influências Ken Follett, Noah Gordon, Dan Brown e Khaled Hosseini.
Apesar da paixão pela literatura, o escritor reconhece as dificuldades de quem começa: “Publicar é mais difícil do que escrever. O mercado editorial ainda não aposta em novos autores, e o futuro trará um desafio maior: a concorrência com a inteligência artificial. Só sobreviverão aqueles cuja escrita tiver identidade verdadeira.”
Com dois romances lançados, Carrijo já prepara o terceiro: a história de uma mulher que simula a própria morte para escapar da violência doméstica — e que, em sua nova vida, aprende a amar a si mesma. Acompanhe a entrevista que o escritor Carrijo concedeu.

Como você concilia trabalho com a escrita?
O primeiro livro foi escrito durante a pandemia em 9 meses. Dedicação plena. Estabeleci uma disciplina, escrevendo em média 6 horas por dia. Vingança & Perdão tem 450 páginas, já o segundo, quando de fato precisei conciliar com minha atividade laboral, decorreram-se dois anos. Pai do Destino tem 308 páginas. Descobri que gozo de uma capacidade absurda em me concentrar na escrita, o que me permitiu escrever alguns capítulos nas pausas no trabalho.
Quais as suas referências no mundo literário que te inspiraram para seguir a carreira de escritor?
Quatro autores moldaram minha escrita. Ken Follett (exímio contador de histórias). Noah Gordon (descreve relacionamentos de forma magistral), Dan Brown (impõe um dinamismo genial) e Khaled Housseini (dá beleza ao mais ermo dos lugares). Todos brilhantes e completos.
O que te inspirou a escrever Pai do Destino?
Quando visitei minha mãe em Cachoeira Paulista, dirigi até uma cidade próxima, localizada no sul de Minas Gerais chamada Passa Quatro. Fui comprar ingredientes para uma feijoada. No caminho avistei um casal de idosos seguindo pelo acostamento, de mãos dadas, com o esplendor da Serra da Mantiqueira ao fundo. O sol, embora implacável, não os castigava. Seus semblantes não escondiam uma adoração recíproca. Quis, naquele instante, escrever um romance onde os protagonistas não eram jovens, príncipes, e sim pessoas carcomidas, carunchosas pelo trabalho árduo, de inquestionável beleza interior, que buscam a felicidade na simplicidade, na retidão, nos princípios, no que a vida lhes oferece sem expiação. Foi assim que nasceu Pai do Destino, um romance repleto de relacionamentos, que combate as mazelas sociais com sofrimento, e determinação. Confronta acaso e destino. Sopesa a fé. Sobressai o otimismo, a esperança, a virtude. É um romance realmente belo.

Quais as dificuldades de um autor iniciante para publicar suas obras?
As dificuldades para autores nacionais venderem seus livros, insofismavelmente, são maiores do que escrever. As editoras de grande porte só os consideram depois que obtiveram sucesso. Não há apostas. Cabe ao autor desbravar, investir, correr riscos, pagar ou se apequenar para ver seu livro materializado, o que ainda, não significa nada. Na eventualidade de lograr êxito em premiações, der a sorte de ser adotado por uma celebridade, Influencer, algo que lhe dê visibilidade, e sendo a obra digna de milhares de leitores, a magia pode ocorrer. Mas antevejo uma dificuldade maior no futuro: todos os escritores enfrentarão uma concorrente impiedosa e severa – a inteligência artificial. Sobreviverão aqueles cuja identidade na escrita é verdadeira e inconfundível.
Dois romances lançados: já tem tema para o terceiro livro?
Meu terceiro livro, também um romance, terá como protagonista uma mulher que simulará a morte para escapar da violência imposta pelo companheiro. Estará sempre alerta, mas se apaixonará por ela mesma e se permitirá experimentar a plenitude da vida.
* Com assessoria.


Da Redação
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