O Cine Ouro Verde foi inaugurado na véspera do Natal de 1952, com a exibição do filme ‘‘Meu Coração Canta’’, dirigido por Walter Lang e estrelado Susan Hayward, Rory Calhoun e David Wayne. Na época, foi uma ousadia. O filme estava sendo lançado em Londrina simultaneamente com São Paulo. Porém não foi só a estréia nacional de um filme que deixou todo mundo de queixo caído naquela noite.
Cortinas de veludo italiano, mármore de Carrara, piso e escadarias de granito, poltronas estofadas e recuáveis, rampas atapetadas, tela de vidro, ar-condicionado, aparelhagem de som e projeção das mais modernas. O Ouro Verde era simplesmente fabuloso em comparação com os desconfortáveis e calorentos cines Municipal, Avenida e Londrina, as três outras salas de exibição que já existiam. O projeto foi assinado pelo arquiteto Villanova Artigas.
O cinema atraiu multidões logo de cara. A elite londrinense não perdia uma sessão das 20 horas de domingo. Diariamente, recebia cerca de sete mil pessoas nas suas cinco sessões. Com o tempo, porém, novas salas foram surgindo e o Ouro Verde foi perdendo sua majestade. Em 1978, em franca decadência como cinema, o Ouro Verde - hoje em vias de ser tombado - foi comprado pela Universidade Estadual de Londrina por 10 milhões de cruzeiros, recursos vindo dos Governos Ferderal e do Estado. Nascia aí o Cine-Teatro Ouro Verde.
Mesmo dividindo espaço com o teatro e outras atividades, inclusive acadêmicas, por um tempo a exibição cinematográfica conseguiu manter sua glória. ‘‘Quando exibimos ‘E.T’, em 82, aconteceu na época a mesma coisa que, guardadas as devidas proporções, aconteceu com ‘Titanic’ no ano passado. Formavam-se filas e mais filas. E.T ficou seis semanas em cartaz com cinco sessões diárias, completamente lotadas’’, conta Carlos Eduardo Lourenço Jorge.
Hoje, o diretor da Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura comemora os 746 espectadores que assistiram ‘‘Carne Trêmula’’, filme de Pedro Almodóvar, que ficou quatro semanas em cartaz, em janeiro deste ano.(T.E.)

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