Os porões da América sempre foram inflamáveis. No começo da década, a descoberta de uma cena alternativa promoveu o que ficou conhecido como a ‘‘nova ordem das guitarras’’ no mundo.
A ascensão e queda do Nirvana foi só a parte visível do fenômeno. Bandas já rosnavam por toda a parte, muitas jogadas como farinhas de um mesmo saco grunge furado. Foi a época em que Sonic Youth e Smashing Pumpkins despontaram para o grande público desafiando rótulos, apelos oportunistas e todo o oba-oba da mídia.
Alguns anos e discos se passaram, e as duas bandas estão de volta com uma nova coleção de canções. Sonic reitera seu estilo no álbum A Thousand Leaves e os Pumpkins apresentam mudanças em Adore. Já nas importadoras brasileiras, os dois CDs disputam pau a pau o topo da lista de encomendas da garotada.
ReproduçãoSmashing
Pumpkins:
baladas
doces e
beats
programadosMais acessível do que em muitos de seus trabalhos, o Sonic não deixa porém de engolfar linhas harmônicas num caos de feedbacks, overdrives, distorcion e demais ruídos de pedais ensandecidos. ‘‘Hits of Sunshine’’, com seus quase 11 minutos de duração, é o principal destaque do álbum que tem em ‘‘Snare, girl’’ e ‘‘Sunday’’ outros pontos altos. Homenageando o poeta Allen Ginsberg, expoente da geração beat norte-americana morto no ano passado, ‘‘Hits of Sunshine’’ sugere uma espécie de The Doors empapuçado de microfonia.
Bem diferente é a sonoridade adotada pelos Pumpkins, hoje a banda ‘‘alternativa’’ mais popular dos Estados Unidos. Em seu quarto disco (excluindo a coletânea de lados B de singles Pisces Iscariot), Billy Corgan (vocal e guitarra), James Iha (guitarra) e D’Arcy (baixo) parecem quase dispensar a guitarra num repertório que privilegia a candura e os arranjos delicados.
Sem baterista fixo, a banda contou no estúdio com a colaboração de Matt Cameron (ex-Soundgarden) e Joyce Waronker (que acompanha Beck). Na turnê do premiado álbum duplo Melon Collie and the Infinite Sadness, tiveram a mão de Matt Walker (do Filter). Mas são as batidas programadas que chamam atenção no novo disco, apontando a inclinação recente do trio para o uso de recursos eletrônicos.
Mas o Smashing não virou techno. Prevalecem baladas, quase acústicas.

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