Djonga: "“Origem é o grande lance desse trabalho. Muitos se esquecem de onde vieram, só pensam onde querem chegar"
Djonga: "“Origem é o grande lance desse trabalho. Muitos se esquecem de onde vieram, só pensam onde querem chegar" | Foto: Divulgação

O rapper mineiro Djonga desembarca em Londrina nesta sexta-feira (7), no Escritório Bar, para o show da turnê de seu novo disco, “Ladrão”, composto por dez música inéditas. O álbum, lançado em março e que está disponível em todas as plataformas digitais, já é considerado o melhor trabalho do artista. “Eu evolui como artista no modo geral, desde cantar até a parte lírica. Estou mais maduro, meu filho está maior, vive outras mil coisas”, comenta Djonga, que já havia sido aclamado com o trabalho anterior, “O Menino que Queria Ser Deus”, de 2018, apenas um ano depois do primeiro disco intitulado “Heresia”, em 2017.

Sob o tema “resgate”, o álbum, de acordo com Djonga, tem uma carga muito pessoal. O disco, inclusive, foi gravado na casa de seus avós, onde um andar da residência foi adaptado para a construção de um estúdio. O mineiro sentiu, então, que lá seria o lugar ideal para relembrar suas origens e chegar ao que idealizou. O álbum conta com participações importantes como Felipe Ret, na música “Deus e o Diabo na Terra do Sol“, canção que faz referência ao filme clássico do diretor Glauber Rocha. O MC Kaio também divide os vocais com Djonga na faixa “Tipo“. Já a música “Voz” conta com as participações de Doug Now & Chris MC.

Além das lembranças, em “Ladrão”, seguem presentes alguns temas que o acompanham desde o primeiro trabalho, como a posição antirracista, forte crítica social, a religiosidade e a paternidade, temática cada dia mais incisiva nas músicas do rapper, tendo em vista que Djonga se tornou pai em 2017. “Origem é o grande lance desse trabalho. Muitos se esquecem de onde vieram, só pensam onde querem chegar, mas se você não souber de onde veio, já era, morre lá mesmo, de corpo físico ou espiritualmente, na consciência das pessoas.”

Tanto a foto da capa quanto o título no novo álbum podem ser considerados chocantes, mas nada foi por acaso. A imagem de Djonga ensanguentado segurando joias e notas de dinheiro nas mãos fazem referência, em partes, à imagem pejorativa da sociedade relacionadas ao negro e pobre. “Ladrão é isso: os caras chamam a gente de ladrão desde sempre. Ladrão, vagabundo. Então a gente “rouba” e leva de volta para quem é dos nossos. Assim, fica zero a zero”, declara.

HISTÓRIA

O rapper de 24 anos nasceu em Belo Horizonte, na Favela do Índio, e cresceu no bairro de São Lucas, Santa Efigênia. Começou sua carreira na rua, participando de saraus de poesia, onde cresceu seu interesse pelo rap e logo começou a escrever suas próprias letras. Criou a DV Tribo ao lado do Hot Apocalypse, FBC, Clara Lima, Oreia e Coyote Beats, conquistando seu espaço na cena. Em 2018, venceu a votação popular da revista Rolling Stone como o melhor álbum do ano com “O Menino que Queria ser Deus”.

SERVIÇO:

Show com Djonga

Quando: Sexta-feira (7), às 22h

Onde: Escritório Bar Londrina (rua José Roque Salton, 33)

Quanto: A partir de R$ 35,00 (www.ingressonacional.com.br)

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