Djavan,vidas pra contar e cantar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de março de 2017
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Londrina deve receber grandes astros da música brasileira ao longo deste ano. Representantes de diversos gêneros musicais como Maria Gadú, Titãs, Fábio Jr., Eimicida, CPM 22, Raça Negra e Sandy já tem datas reservadas na cidade. A temporada de espetáculos nacionais será aberta por ninguém menos que Djavan. O consagrado cantor e compositor alagoano traz aos londrinenses o show "Vidas pra Contar". A apresentação acontece na sexta-feira (10), às 21 horas, no Centro de Eventos de Londrina, e conta com apoio do Grupo Folha de Comunicação.
Em sua mais recente turnê, "Vidas pra Contar", o cantor apresenta ao público canções do CD homônimo, o 23º álbum de sua vitoriosa trajetória musical lançado em 2015. O disco foi indicado ao Grammy Latino 2016 em quatro categorias: álbum do ano, melhor gravação do ano, melhor cantor e compositor e melhor canção em língua portuguesa: "Vidas para Contar", música que rendeu mais um troféu ao artista. Na edição anterior da premiação, quando completou 40 anos de carreira, Djavan foi contemplado com o troféu na categoria Excelência Musical, pelo conjunto de sua obra.
Além de faixas do premiado CD, o repertório do espetáculo é costurado por grandes hits cantados em coro pela plateia. Entre as canções confirmadas no roteiro estão "Oceano", "Outono", "Boa Noite" e "Eu te Devoro".
Acompanhado por Carlos Bala (bateria), Jessé Sadoc (flügelhorn, trompete e vocal), Marcelo Mariano (baixo e vocal), Marcelo Martins (flauta, saxofone e vocal), Paulo Calasans (teclados e piano) e João Castilho (guitarras, violões e vocal), o artista é quem assina a direção do espetáculo, que tem iluminação de Binho Schaefer e figurino de Roberta Stamato.
"Existe entre nós, eu e os músicos, um código musical que permite voos para todas as direções, e isto é uma coisa que me ajuda muito, uma vez que persigo sempre a diversidade. Eu acho que a diversidade me impõe a estar sempre correndo riscos, e eu preciso disso", conta o músico.
O cenário da turnê, concebido por Suzane Queiroz, foi desenhado a partir do conceito de que a vida de cada pessoa é um grande livro em branco que vai sendo preenchido linha por linha, página por página a cada alegria, a cada tristeza, a cada conquista, a cada novo amor que chega e que parte, ao longo do tempo.
Autor de várias músicas que se tornaram clássicos do cancioneiro nacional, Djavan tem emplacado um sucesso atrás do outro em seus mais de 40 anos de carreira. Sucesso de público e crítica, o artista é um dos compositores recordistas em execução de sua obra em bares, restaurantes e churrascarias de todos os cantos do País.
Em entrevista à FOLHA por telefone, Djavan fala sobre o segredo de para emplacar sucessos atemporais, revela bom humor ao lidar com a crítica sobre algumas letras de suas canções e revela planos de gravar um novo CD ainda este ano.
O mercado musical brasileiro está cada dia mais efêmero, com hits "chiclete" que não duram mais de um verão. Qual o segredo para criar músicas que atravessam gerações e continuam sempre na boca do povo?
Eu acho que quando existe qualidade, em tudo nessa vida, dura mais. Seja na música, seja nas relações cotidianas, em tudo. Mas quanto ao efêmero, o que é efêmero hoje? Tudo, não é mesmo? A internet tornou tudo passageiro, é uma fonte rápida, claro, mas não tem sustentação.
Muita gente questiona alguns versos seus alegando falta de sentindo em letras como "Açaí, guardiã, zum de besouro um imã, branca é a tez da manhã". Você se diverte com isso? Já chegou a mudar alguma composição pensando nas críticas que receberia?
(Risos). A vida inteira eu ouvi questionamentos quanto a isso, mas sempre levei isso com humor. As pessoas que questionam, acabam, em algum momento, lendo e sentindo essa música com maior atenção e acabam compreendendo o sentido e sentimento contido naquilo. Eu faço música porque me faz bem, pra me divertir mesmo, então não faria sentido deixar de fazê-las ou mudar algo, por conta desse tipo de crítica.
Você tem percebido a renovação de seu público? Existe algum planejamento de carreira nesse sentido?
Eu acredito que sempre se renovou. Nos meus shows eu sempre percebi uma heterogeneidade, com pessoas de todas as raças, todas as idades. Gente mais velha, gente mais nova, eu vejo de tudo. Acho que a música tem esse poder, de colocar todo mundo num mesmo lugar, junto.
Além de compositor de sucesso, você tem uma voz marcante e alguns álbuns dedicados apenas a interpretações alheias. Qual música de outro autor gostaria de ter composto? E qual de suas canções de discos você mais gosta?
Eu gosto de ser influenciado por tudo que é belo. Tudo que eu escuto e me toca de alguma maneira, eu gosto de trazer como influência. Claro que eu jamais faria uma cópia desses artistas, porque algo desse tipo não me satisfaria. Eu gosto e de ter contato com isso e, através da minha música, externar o que me vem da alma. Sempre que me perguntam sobre qual música eu prefiro ou artista, eu nunca sei o que responder (risos). Eu acho que eu gosto de tanta coisa, que acabaria me esquecendo de citar algum. E quanto às minhas músicas, ou músicas que eu gravo, eu tenho por elas o mesmo amor, então me dedico a todas da mesma maneira. Não consigo quantificar isso e escolher uma só.
Ao longo de mais de 40 anos de carreira você já deve ter visto muita gente aparecer na música brasileira e desaparecer como um meteoro? Algum novo talento tem chamado sua atenção?
Eu acho que novos nomes hoje em dia surgem com uma frequência assustadora. E são novos nomes, não necessariamente novos talentos. São coisas que surgem para uma fama de 15 minutos, um mês, mas que alcançam uma quantidade enorme de pessoas. Eu sempre achei a competitividade positiva em todos os ramos. Competitividade é uma coisa que me seduz. Então eu consigo ver algo positivo nisso tudo.
Eu costumo ouvir música no carro, no trânsito, nem tenho aparelho de som em casa. Então eu sempre escuto tudo que surge de novo, conheço de tudo. São tantos nomes que eu prefiro nem citar algum, pra não acabar esquecendo alguém, talvez, justamente quem mais gostaria de citar. Então meu conselho é que as pessoas ouçam de tudo, tenham acesso a música diversificada. Isso só pode trazer descobertas boas.
Quais são seu novos projetos profissionais?
Bom, essa minha turnê de agora se estende até o meio do ano. Depois disso, o meu planejamento é entrar em estúdio em setembro, pra gravação do meu novo disco, que deve ser lançado em 2018. (Com colaboração de Danieli de Souza)
Serviço:
Show Djavan Vidas Pra Contar
Quando Sexta-feira (10), às 21 horas
Onde Centro de Eventos de Londrina
Quanto R$ 55 a R$365
Pontos de Venda: Óticas Diniz / www.diskingressos.com.br


